quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cinthia Buarque, atriz provocadora, falando sobre a experiência de atuar no Teatro dos Sentidos.

...Me cadastrei e, uns meses depois fui chamada para participar do projeto mais lindo que já participei na minha vida, projeto esse que me fez repensar várias coisas, o "Teatro dos Sentidos"....Paula, minha mestra dos palcos. Foi com você que aprendi o que é ser ator (a). Aprendi a ter sensibilidade para entender que o diretor é quem dá as coordenadas.
Rio, 27 de novembro.
Hoje fui assistir Feliz Ano Novo, espetáculo Do Teatro Dos Sentidos com texto e direção Paula Wenke no Planetário Da Gávea.
O tema mostra, para plateia de olhos vendados, a percepção dos cinco sentidos: olfato, paladar, tato, visão e audição, numa viagem imaginaria pelo mundo do "desconhecido". É encenada por atores reais que nos conduzem a vivenciar maravilhas, jamais vistas e sentidas, por aqueles que possuem os olhos bem abertos para o mundo e nada enxergam. Vale a pena conferir para se emocionar, rir, cantar e se divertir além de degustar guloseimas durante o espetáculo. Parabéns à equipe DO TEATRO DOS SENTIDOS.

Gualdino Calixto, no facebook.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Aos namorados...


O teu beijo resume
Todas as sensações dos meus sentidos
A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume
Dos teus lábios acesos e estendidos
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador
Que, na lira sensual de cinco cordas,
Tange a canção do amor!

E o tato mais vibrante,
O sabor mais sutil, a cor mais louca,
O perfume mais doido, o som mais provocante
Moram na flor triunfal da tua boca!
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira;
Flor de alma, que é também
Um acorde em minha lira,
Que é meu mal e é meu bem...

Se uma emoção estranha
o gosto de uma fruta, a luz de um poente -
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha
qualquer sentido meu, é a ti somente
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo...
E acabo de pensar
Que qualquer emoção vem de teu beijo
Que anda disperso no ar...


De: Mario Filho

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Teatro dos Sentidos no Congresso de Artes e Saúde da Unicamp

Gabriela Marelttli da Equipe de organização do VI CASU - Congresso de Artes e Saúde da Unicamp - viu uma matéria sobre o projeto Teatro dos Sentidos e considerou muito interessante. Entrou em contato com a nossa Diretora Artística Paula Wenke para saber se existe a possibilidade de sua participação no congresso, seja dando uma palestra sobre o projeto e o efeito que tem nos cegos, ou seja com uma apresentação.


Congresso de Artes e Saúde da Unicamp é um evento voltado para alunos da graduação dos cursos da área de saúde que visa humanizar os estudantes e difundir a arte como um meio terapêutico. O evento é composto por palestras, apresentações artísticas e oficinas culturais, de modo à realmente envolver os alunos nos temas discutidos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Rodrigo Grota no Facebook.

nessa época eu era assistente de um pintor. ele já estava cego mas continuava a fazer retratos. todas as manhãs nos levantávamos, eu preparava o chá, arrumava o toca discos e ouvíamos wagner. ele dizia que wagner queria explodir o mundo e que hoje ninguém mais quer explodir o mundo. ouvíamos tristão e isolda religiosamente antes de iniciar os trabalhos.

as pessoas chegavam ao ateliê e conversavam com o mestre. ele não precisava ver o rosto, não precisava tocar a sua face – ele se guiava apenas pela voz. seus retratos não eram figurativos – havia a cor, o contorno, a expressão. as pessoas se surpreendiam – ele destacava aquilo que elas só ousavam ler em voz baixa.

um dia você se aproximou – começo de outono, acho que tinha acabado de acordar. não havia ninguém no ateliê ainda – você disse apenas uma palavra: “perto”. o mestre pediu a minha atenção e de uma forma muito cortês explicou que precisava sair. e antes de um tímido sorriso deixou claro que esse seria o meu primeiro retrato. “aquilo que você vê não é o mais importante. ela quer justamente o que você desconhece”.

inicialmente não pude olhar para o seu rosto. eu observava tudo de uma forma geral, sem me prender a nenhum detalhe. vi a sua bolsa sobre a cadeira – um jornal enrolado saindo pelo lado de cima. um maço quase vazio, um isqueiro. procurei por uma blusa – você sentia a janela semi-aberta.

devido aos seus pequenos gestos, pensei que o primeiro passo seria se fixar no movimento. o seu ritmo era interno – tudo estava em harmonia. ao acender um cigarro, você demonstrava sua fragilidade. quando evitava o meu olhar, eu percebia a sua força. havia o desvio, a luz suave e o silêncio. você nunca disse nada, não pediu algo para beber, nem perguntou porque aquele livro do iberê camargo estava ali semi-aberto sobre a minha mesa. não duvidou do tom azul, do quase rascunho, nem se incomodou com o fato de que eu estava a pintá-la de costas. eu não queria mais ver o seu rosto, não queria sentir aquilo que está presente – você chegava em mim por meio de uma série de ausências, evocações, vestígios. eu só poderia ficar de costas.

eu sentia em cada traço que sua imobilidade era apenas um desejo meu. por mais que eu desenhasse o fluxo, expressasse uma certa instabilidade, as cores sempre me seduziam, eu a idealizava de uma forma irresistível.

recuei e voltei a observá-la de frente. você me encarava como se ainda não tivesse despertado. eu me aproximei da sua bolsa e encontrei um último cigarro. ficamos a observar o quadro – estava incompleto, as cores ainda não haviam se fixado – mas você estava ali. você estava naquele pequeno movimento interno, naquela voz invisível, naquelas linhas que evocavam o desvio.

você se aproximou, e no seu rosto havia uma incerteza. ali estava a dor, a impermanência, uma fragilidade que não te deixava mais suave. você disse: “your eyes... like a dylan song”.

eu saberia que você nunca mais estaria próxima.
eu saberia que a partir daquele momento o encantamento...
(o outono era apenas suave)

seu retrato permaneceu inacabado na minha mesa.
ao lado do livro do iberê, das fotos do bacon e de um estudo de hopper.
o mestre voltou ao ateliê minutos depois e apenas me perguntou do wagner.
eu achava que explodir o mundo me libertaria.

o seu rosto, apenas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

WMcCann aborda deficiência visual

A Fundação Dorina Nowill para Cegos ganhou uma nova campanha criada pela WMcCann. Composta por filmes de 30 e 60 segundos a ação tem a intenção de mostrar a importância do trabalho da fundação na reabilitação das pessoas com deficiência visual. As cenas mostram Diego Luciano de Castro, de 23 anos, que há três anos ficou cego devido a um descolamento de retina, fazendo atividades como andar pelas ruas, pegar um ônibus, subir escadas e transpor os obstáculos. As imagens foram feitas por uma câmera digital acoplada à cabeça de Diego. O material foi editado e retrata exatamente o que “vê” uma pessoa com deficiência visual em seu dia a dia. Ao final, o filme leva a assinatura “Conheça e ajude a Fundação Dorina Nowill para Cegos” com o contato para doações.

Veja como as pessoas om deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais e óperas, por meio de um recurso de acessibilidade.

Com direção de criação de direção de criação de Alexandre Okada e Milton Mastrocessario (Cebola). A produção é da Sentimental Filme, com direção de cena de Maurício Guimarães e Luciano Zuffo. A produtora de som é a Junk/om.



Fonte: Portal de Acessibilidade - Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs no RS (FADERS)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!

A “Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!” entrou em campo neste último domingo (1º), durante a decisão do 2º Turno do Campeonato Carioca. No intervalo da partida entre Flamengo e Vasco, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência estenderam no gramado do Estádio do Engenhão o Bandeirão da Acessibilidade, que tem 25m x 18m.

O bandeirão foi carregado por crianças, adolescentes e pessoas com e sem deficiência. O objetivo da ação é conscientizar o público sobre a importância de se eliminar as barreiras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade, ressaltando a importância dos Direitos Humanos em nosso dia-a-dia e a defesa da acessibilidade como um direito universal.

A campanha, que está sendo apoiada por Pelé, Zico, Roberto Dinamite, Ronaldinho Gaúcho e Rivellino e grandes clubes brasileiros, tem como objetivos a sensibilização, a conscientização e a mobilização para a eliminação das barreiras culturais, de informação, arquitetônicas e outras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

A “Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!” é coordenada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão integrante da estrutura básica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Fonte: site do CONADE.