Veja matéria no site de origem: Jornal Nacional - G1
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil".
Em 2011, a iniciativa de uma mulher que mudou a vida dos deficientes visuais no Brasil está completando 65 anos, como se vê na reportagem de Alan Severiano.
Foi de repente. Aos 33 anos, a vida deu uma reviravolta. As veias da retina se romperam e o advogado Marcelo Panico perdeu quase toda a visão. “Foi um luto de se fechar em casa no meu quarto. Eu pensei que a vida tinha realmente acabado”, lembra.
Isso faz oito anos. Hoje, com a ajuda de um cão guia e de um programa de computador, ele faz parte da equipe de advogados de uma multinacional. “Eu reaprendi a fazer o que sabia de outra forma e hoje convivo bem com esse aparato tecnológico”, declara.
O recomeço não foi fácil, como acontece com todos que passam pela Fundação Dorina Nowill, em São Paulo. A instituição leva o nome da pedagoga que ficou cega aos 17 anos e foi a primeira deficiente visual a estudar em uma escola regular.
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil". O que era uma pequena gráfica virou a maior editora de livros em braile da América Latina, uma instituição sem fins lucrativos, administrada por voluntários.
Por ano, 64 mil livros são distribuídos gratuitamente para bibliotecas e deficientes visuais em todo o país. Além de publicações em braile, tem também livros digitais e os livros falados. Assim, muitos reaprendem a ler, a entender formas, a se localizar.
Outros dão os primeiros passos. Os bebês são estimulados para evitar atraso no desenvolvimento. “Geralmente, eles demoram mais para engatinhar, eles demora mais apara andar. Quando a gente estimula, eles aprendem naturalmente. Isso vai ajudá-lo na sua expressão corporal”, explica a fisioterapeuta Márcia Silva.
Entre consultas e terapias, são 18 mil atendimentos por ano. “Não é lugar de coitadinho, ninguém tem pena. Ele tem a deficiência. Ele precisa superar uma barreira, mas fora isso é uma pessoa capaz de realizar seus desejos, e é isso que Dorina nos ensinou”, destaca o presidente da Fundação, Adermir Ramos da Silva.
Bruno segue esse caminho. Nasceu cego, passou a frequentar a fundação e, aos 11 anos, tira de letra o convívio na escola com crianças que enxergam. “Não adianta você viver em um ambiente que só tem pessoa que tem o seu problema, senão você não vai se acostumar com o mundo”, comenta.
terça-feira, 12 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Homenagem a Louis Braille
Nascido Para Luta
Quando o mundo não sabia, que é preciso aprender;
Nasceu um sábio francês, guerreiro mesmo sem vê;
Homem de grande visão, tomou ele a decisão,
De derrubar o poder.
Ficou cego aos três anos, pôs seus pais em desespero ;
Um enviado de Deus, nosso anjo mensageiro;
E mesmo sem ter visão, deu aos cegos a direção,
Na França e no mundo inteiro.
Ainda na tenra idade, o nosso herói Louis;
Não aceita desrespeito, aos cegos do seu país;
Que eram violentados, loucos, palhaços, coitados;
Pelas ruas de Paris.
Se fazia necessário, grandiosa transformação;
E o caminho encontrado, foi-lhes a educação;
A luz do conhecimento, cessa todo sofrimento,
E brilha na escuridão.
Era preciso um gênio, de um notável saber;
Que inventasse um sistema, para fazer cego ler;
Avançado e bem a frente, com este novo presente,
Foi possível escrever.
Uma luz no horizonte, já começa a surgir;
A leitura e a escrita, a os alunos dali;
Uma emergente guerra, começa lançar por terra,
O sistema de Hauy.
No velho e falho sistema, muito se tinha investido;
Professores não aceitavam, que os cegos tinham crescido;
E escrever um poema, usando o novo sistema,
Não lhes era permitido.
Louis e seus alunos, incansáveis, destemidos;
Os seis pontos em toda França, já eram bem conhecidos;
Quebraram até a lei, falaram até com o Rei,
Pra serem reconhecidos.
O aprovo do sistema, não foi logo conquistado;
Mas Braille continuava, lutando, obstinado;
Um jovem valente e forte, abatido pela morte,
Seu brado foi alcançado.
Braille lutou e venceu, nos deixou grande legado;
Os cegos do mundo inteiro, seu sistema tem usado;
Não tem tecnologia, e também engenharia,
Que lhe tenha modificado.
Seu nome Grande Louis, na história foi registrado;
Entre os grandes deste mundo, fostes Imortalizado;
És herói dos heróis, orgulho pra todos nós,
No presente e no passado.
Louis Braille inovou, foi fantástico cientista;
Nos deu plena autonomia, nos deu visão sem ter vista;
Louvo aqui sua coragem, receba esta homenagem,
Deste inculto repentista.
Por Antonio José Ferreira
São José do Egito / Pernambuco.
8 de abril - Dia Nacional do Braille
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille
CONVITE:
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, por meio da Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB, realizará nesta segunda-feira, dia 11 de abril, de 10 às 12 horas, na Ala Nilo Coelho (Sala 2) do Senado Federal em Brasília, uma audiência pública em comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille (08 de abril), instituído pela Lei 12.266 de 2010.
O evento contará com a participação de políticos, representantes de órgão governamentais e não governamentais, especialistas e estudiosos do assunto e com usuários do Sistema Braille.
Participe e prestigie no local ou pela TV Senado, que fará a transmissão ao vivo!
A TV Senado pode ser sintonizada em canal aberto (UHF) nas seguintes cidades:
· 16 UHF Rio Branco
· 36 UHF (Gama-DF e Entorno)
· 40 UHF (João Pessoa-PB)
· 43 UHF (Fortaleza-CE)
· 49 UHF (Rio de Janeiro-Zona Oeste)
· 51 UHF (Brasília-DF)
· 52 UHF (Natal-RN)
· 53 UHF (Salvador-BA)
· 55 UHF (Recife-PE)
· 56 UHF (Cuiabá-MT)
· 57 UHF (Manaus-AM)
Também nos canais 07 (Net), 118 (Sky), 217 (Direct TV), 17 (TECSAT), 121 (VIAEmbratel) ou na Internet pelo www.senado.gov.br/tv
sexta-feira, 1 de abril de 2011
MEC nega fechamento de escolas especiais para surdos e cegos
Ministro desautoriza diretora que anunciou o fim do ensino para surdos e cegos; inclusão entra na pauta da Câmara em Brasília.
Duilo Victor
Veja matéria no site de origem - O Globo.
O Ministério da EDUCAÇÃO (MEC) informou ontem que desautoriza o anúncio feito pela diretora nacional de Políticas Educacionais Especiais do MEC, Martinha Claret, sobre o fechamento, até o fim do ano, do Colégio de Aplicação do Instituto Nacional de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e do serviço de ensino fundamental para deficientes visuais do Instituto Benjamin Constant, na Urca.
O ministro da EDUCAÇÃO, Fernando HADDAD, convocou as direções das duas instituições cariocas para uma reunião terça-feira em Brasília. Segundo o MEC, o encontro servirá para desfazer o mal-entendido criado pela declaração de Martinha. Cerca de 800 crianças e jovens das duas instituições recebem os serviços especiais, do maternal ao ensino médio.
Câmara convoca HADDAD para discutir inclusão
A repercussão negativa da possibilidade de interrupção dos serviços fez a Comissão de EDUCAÇÃO da Câmara dos Deputados colocar em pauta na próxima terça-feira a convocação do ministro HADDAD. A intenção é discutir a política de inclusão de alunos com necessidades especiais nas redes públicas municipais e estaduais.
Na Defensoria Pública da União no Rio, o defensor André Ordacgy informou que irá instaurar um procedimento investigatório para analisar a situação do Ines e do Benjamin Constant.
- Os colégios públicos e também os privados não estão preparados para receber os alunos com necessidades especiais, tanto na questão de acessibilidade quanto pedagógica. Já temos ações nesse sentido - informa o defensor público da União.
Está prevista para hoje, às 10h, na Cinelândia, uma manifestação com entidades representativas de pais e de alunos com necessidades especiais contra a possibilidade de fechamento das duas instituições.
- Queremos igualdade de oportunidades, mas a inclusão não ocorre de fato, pois não se colocam as tecnologias necessárias - conta a presidente da ONG Guerreiros da Inclusão, Sheila Melo, uma das organizadoras da manifestação. - Há alunos surdos, por exemplo, que não têm tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras) das aulas.
Prefeitura nega falta de intérpretes em escolas
Kátia Nunes, diretora do Instituto Helena Antipoff, centro de referência de EDUCAÇÃO especial da prefeitura, nega que haja alunos surdos sem acompanhamento por intérprete na rede municipal:
- Nos efetivamos o direito do acesso às crianças com necessidade especial à escola. Elas passam por avaliação pedagógica e têm seu encaminhamento garantido ao colégio escolhido pelo pai do aluno, com professor e intérprete adaptado às necessidades deles.
Kátia garantiu que há intérprete para Libras em número suficiente. A rede municipal tem 9.923 alunos com necessidades especiais, sendo 4.508 em salas especiais.
Duilo Victor
Veja matéria no site de origem - O Globo.
O Ministério da EDUCAÇÃO (MEC) informou ontem que desautoriza o anúncio feito pela diretora nacional de Políticas Educacionais Especiais do MEC, Martinha Claret, sobre o fechamento, até o fim do ano, do Colégio de Aplicação do Instituto Nacional de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e do serviço de ensino fundamental para deficientes visuais do Instituto Benjamin Constant, na Urca.
O ministro da EDUCAÇÃO, Fernando HADDAD, convocou as direções das duas instituições cariocas para uma reunião terça-feira em Brasília. Segundo o MEC, o encontro servirá para desfazer o mal-entendido criado pela declaração de Martinha. Cerca de 800 crianças e jovens das duas instituições recebem os serviços especiais, do maternal ao ensino médio.
Câmara convoca HADDAD para discutir inclusão
A repercussão negativa da possibilidade de interrupção dos serviços fez a Comissão de EDUCAÇÃO da Câmara dos Deputados colocar em pauta na próxima terça-feira a convocação do ministro HADDAD. A intenção é discutir a política de inclusão de alunos com necessidades especiais nas redes públicas municipais e estaduais.
Na Defensoria Pública da União no Rio, o defensor André Ordacgy informou que irá instaurar um procedimento investigatório para analisar a situação do Ines e do Benjamin Constant.
- Os colégios públicos e também os privados não estão preparados para receber os alunos com necessidades especiais, tanto na questão de acessibilidade quanto pedagógica. Já temos ações nesse sentido - informa o defensor público da União.
Está prevista para hoje, às 10h, na Cinelândia, uma manifestação com entidades representativas de pais e de alunos com necessidades especiais contra a possibilidade de fechamento das duas instituições.
- Queremos igualdade de oportunidades, mas a inclusão não ocorre de fato, pois não se colocam as tecnologias necessárias - conta a presidente da ONG Guerreiros da Inclusão, Sheila Melo, uma das organizadoras da manifestação. - Há alunos surdos, por exemplo, que não têm tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras) das aulas.
Prefeitura nega falta de intérpretes em escolas
Kátia Nunes, diretora do Instituto Helena Antipoff, centro de referência de EDUCAÇÃO especial da prefeitura, nega que haja alunos surdos sem acompanhamento por intérprete na rede municipal:
- Nos efetivamos o direito do acesso às crianças com necessidade especial à escola. Elas passam por avaliação pedagógica e têm seu encaminhamento garantido ao colégio escolhido pelo pai do aluno, com professor e intérprete adaptado às necessidades deles.
Kátia garantiu que há intérprete para Libras em número suficiente. A rede municipal tem 9.923 alunos com necessidades especiais, sendo 4.508 em salas especiais.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Futuro de deficientes visuais e auditivos em jogo
Temeroso. Tudo isso deveria ser muito gradual. As escolas públicas não estão preparadas nem para os alunos que não possuem deficiência. Há uma campanha começando contra o bulling. Agora imagine o que nossos deficientes não sofreriam...
Deficientes visuais e auditivos temem possibilidade de perder escolas especiais
Duilo Victor
Veja a matéria no site de origem
A comunidade de deficientes auditivos e visuais no Rio se articula contra a possibilidade de encerramento, até o fim do ano, das aulas de ensino básico para crianças e jovens em duas instituições federais: o Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e o Instituto Benjamin Constant, na Urca. Só no Colégio de Aplicação do Ines, há cerca de 500 alunos, desde o maternal até o 3º ano do ensino médio. Além disso, nos dois últimos anos, com a prática adquirida no local, 80 professores se formaram no instituto em pedagogia com o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Já no Benjamin Constant - fundado há 156 anos, dois antes que o Ines -, cerca de 300 alunos estão matriculados do 1º ao 9º anos do ensino fundamental.
Na internet, há vídeos, manifestos e abaixo-assinados contra o fim do ensino básico nas duas instituições. De acordo com a diretora-geral do Ines, Solange Rocha, a diretora de Políticas Educacionais Especiais do Ministério da EDUCAÇÃO, Martinha Claret, veio ao Rio há 12 dias para informar que as atividades do Colégio de Aplicação vão acabar até o fim do ano. A intenção é matricular os alunos portadores de necessidades especiais nas redes estadual e municipal convencionais.
- A diretora Martinha foi bem categórica (quanto ao fechamento do Colégio de Aplicação). Mas não estamos em embate com o MEC, e sim em período de negociação. E estamos otimistas. Queremos esclarecer que, para a política de inclusão, o Colégio de Aplicação é fundamental, pois é nele que são formados os professores e elaborado o material pedagógico especializado que vão orientar o ensino em todo o país - diz Solange, que, em maio, levará um parecer oficial ao MEC, com propostas para não fechar o Colégio de Aplicação do Ines.
Diretora: sistema está despreparado
No ano passado, em reportagem publicada na revista da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), há uma declaração atribuída a Martinha em que ela explica ser a favor de uma política de inclusão dos alunos com necessidades especiais na rede convencional. Diz também que colégios como o de Aplicação do Ines são segregacionistas: "As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas". A diretora do Ines, por sua vez, argumenta que não há contradição entre a política de inclusão e a existência do Colégio de Aplicação.
- Não somos contra a política de inclusão. Mas o sistema de ensino no país se mostra despreparado para lidar inclusive com os (alunos) ouvintes - diz Solange.
O Ministério da EDUCAÇÃO negou ao GLOBO haver uma ação oficial em relação ao Ines ou ao Instituto Benjamin Constant. Disse ainda que, enquanto não houver "algum plano sólido para a reformulação (da EDUCAÇÃO especial), não há informações para passar".
A diretora de Políticas Educacionais da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), Patrícia Luiza Rezende, coordenadora do ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, é contra o fechamento do Colégio de Aplicação do Ines. "O discurso do MEC acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas", disse a professora, que é surda-muda, em e-mail ao GLOBO. "Isso é uma falácia. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos numa mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos", concluiu.
O futuro do Instituto Benjamin Constant e do Ines será tema de uma audiência pública amanhã, às 14h, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Comissão de Portadores de Deficiência Física, Márcio Pacheco (PSC), é a favor da política de inclusão, mas contra o fechamento das escolas:
- Sou a favor da inclusão híbrida, de apoio às escolas municipais e ao funcionamento das unidades especializadas, pois estas são formadoras de professores que poderão atuar depois na rede convencional.
A Secretaria municipal de EDUCAÇÃO informou, por meio de nota, que não foi contactada sobre um eventual fechamento do Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos e do Instituto Benjamin Constant. O órgão disse ainda que conta com 9.923 alunos portadores de necessidades especiais, sendo 4.508 incluídos em classes regulares. De acordo com a política da secretaria, estudantes com deficiências são incluídos em salas regulares se este for o desejo dos pais. Caso contrário, são encaminhados a salas ou escolas especiais.
Deficientes visuais e auditivos temem possibilidade de perder escolas especiais
Duilo Victor
Veja a matéria no site de origem
A comunidade de deficientes auditivos e visuais no Rio se articula contra a possibilidade de encerramento, até o fim do ano, das aulas de ensino básico para crianças e jovens em duas instituições federais: o Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e o Instituto Benjamin Constant, na Urca. Só no Colégio de Aplicação do Ines, há cerca de 500 alunos, desde o maternal até o 3º ano do ensino médio. Além disso, nos dois últimos anos, com a prática adquirida no local, 80 professores se formaram no instituto em pedagogia com o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Já no Benjamin Constant - fundado há 156 anos, dois antes que o Ines -, cerca de 300 alunos estão matriculados do 1º ao 9º anos do ensino fundamental.
Na internet, há vídeos, manifestos e abaixo-assinados contra o fim do ensino básico nas duas instituições. De acordo com a diretora-geral do Ines, Solange Rocha, a diretora de Políticas Educacionais Especiais do Ministério da EDUCAÇÃO, Martinha Claret, veio ao Rio há 12 dias para informar que as atividades do Colégio de Aplicação vão acabar até o fim do ano. A intenção é matricular os alunos portadores de necessidades especiais nas redes estadual e municipal convencionais.
- A diretora Martinha foi bem categórica (quanto ao fechamento do Colégio de Aplicação). Mas não estamos em embate com o MEC, e sim em período de negociação. E estamos otimistas. Queremos esclarecer que, para a política de inclusão, o Colégio de Aplicação é fundamental, pois é nele que são formados os professores e elaborado o material pedagógico especializado que vão orientar o ensino em todo o país - diz Solange, que, em maio, levará um parecer oficial ao MEC, com propostas para não fechar o Colégio de Aplicação do Ines.
Diretora: sistema está despreparado
No ano passado, em reportagem publicada na revista da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), há uma declaração atribuída a Martinha em que ela explica ser a favor de uma política de inclusão dos alunos com necessidades especiais na rede convencional. Diz também que colégios como o de Aplicação do Ines são segregacionistas: "As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas". A diretora do Ines, por sua vez, argumenta que não há contradição entre a política de inclusão e a existência do Colégio de Aplicação.
- Não somos contra a política de inclusão. Mas o sistema de ensino no país se mostra despreparado para lidar inclusive com os (alunos) ouvintes - diz Solange.
O Ministério da EDUCAÇÃO negou ao GLOBO haver uma ação oficial em relação ao Ines ou ao Instituto Benjamin Constant. Disse ainda que, enquanto não houver "algum plano sólido para a reformulação (da EDUCAÇÃO especial), não há informações para passar".
A diretora de Políticas Educacionais da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), Patrícia Luiza Rezende, coordenadora do ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, é contra o fechamento do Colégio de Aplicação do Ines. "O discurso do MEC acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas", disse a professora, que é surda-muda, em e-mail ao GLOBO. "Isso é uma falácia. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos numa mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos", concluiu.
O futuro do Instituto Benjamin Constant e do Ines será tema de uma audiência pública amanhã, às 14h, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Comissão de Portadores de Deficiência Física, Márcio Pacheco (PSC), é a favor da política de inclusão, mas contra o fechamento das escolas:
- Sou a favor da inclusão híbrida, de apoio às escolas municipais e ao funcionamento das unidades especializadas, pois estas são formadoras de professores que poderão atuar depois na rede convencional.
A Secretaria municipal de EDUCAÇÃO informou, por meio de nota, que não foi contactada sobre um eventual fechamento do Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos e do Instituto Benjamin Constant. O órgão disse ainda que conta com 9.923 alunos portadores de necessidades especiais, sendo 4.508 incluídos em classes regulares. De acordo com a política da secretaria, estudantes com deficiências são incluídos em salas regulares se este for o desejo dos pais. Caso contrário, são encaminhados a salas ou escolas especiais.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Depoimentos da cantora cega Sara Bentes sobre o Teatro dos Sentidos.
http://sarabentes.blogspot.com/2010/11/teatro-dos-sentidos.html#comment-form
Teatro dos Sentidos
Uma experiência inesquecível... Hoje, por força desses encontros mágicos do destino, conheci o Teatro dos Sentidos, e assisti à peça encenada por eles: Feliz Ano Novo. Nem sei se posso dizer que “assisti”, talvez eu possa dizer, assim como todos da plateia, que participei da peça Feliz Ano Novo. É isso mesmo, o grupo teatral do Rio de Janeiro Teatro dos Sentidos, dirigido pela atriz e escritora Paula Wenke, desenvolveu um trabalho voltado especialmente para a tchurma do apagão, mas quem enxerga é igualmente bem vindo na plateia e, com uma venda nos olhos, tem a oportunidade de mergulhar no espetáculo da mesma forma que nós, deleitando-se com todos os outros sentidos fora a visão. Sim, todos mesmo! E as surpresas que tive com meus outros sentidos sendo provocados foi um dos pontos fortes da minha imensa emoção. Primeiro me surpreendi ao sentir os aromas de elementos presentes na narrativa. Logo depois, qual não foi minha surpresa quando os personagens compartilharam com a plateia comidas que compunham a cena, como biscoitos de chocolate, pipoca salgadinha (e eu sonhei pelo resto da peça com aquela bacia de pipoca passando de novo pela minha mão... ), e até champanhe para comemorar com eles a virada do ano. No carnaval da história, confetes e cerpentinas eram jogados abundantemente sobre nós, como uma chuvinha gostosa de alegria e surpresa. Sons dos mais variados tipos, produzidos pelos atores bem próximo da plateia, assustavam, emocionavam, faziam rir, criavam ansiedade, acariciavam, e sobretudo nos levavam para dentro das cenas. Esses sons e mais duas narradoras complementavam nosso imaginário com todas as informações necessárias para a total compreensão da trama, como uma espécie de audiodescrição, bem interativa e particular. Claro que a música também marcou presença, desde o começo, mas de repente um violino tocado ao vivo chegou surpreendendo e rasgando a emoção. Situações divertidas, comoventes, românticas, lúdicas e até de extrema tensão, como o naufrágio de um navio, foram vividas por todos nós.
Os textos e poemas de Paula, junto à brilhante atuação de todos os atores, inclusive mirins, conduziam com encanto aquela experiência inédita e inesquecível. Depois de comer, beber, rir e chorar (bastante...), ser convidada a acariciar o rosto de um personagem, sentir brisa, sereno, interagir com os bichos de uma fazenda, participar de um naufrágio, de um carnaval, de um reveillon, ouvir de perto o canto dos atores, recebi uma rosa, de verdade e sem espinhos. Despetalei-a inteira, enquanto transbordava de mim tudo aquilo intimamente mexido e tocado por aqueles carinhos que chegaram na alma através dos sentidos. As pétalas se soltavam entre meus dedos uma a uma à medida que se desenrolava o fim da peça, aquele auge de bagunça gostosa nas lembranças mais profundas, conscientes e inconscientes, quando todos os sons, todos os cheiros, todas as texturas já experimentadas durante o espetáculo, agora nos provocavam todos de uma vez, passeando entre a plateia, passando bem perto, afastando-se, como num sonho louco, como num momento especial da vida em que se repassa na mente as vivências mais marcantes. Depois de tanta emoção, derramei minhas pétalas sobre a Paula, foi minha homenagem e meu agradecimento.
Tudo isso aconteceu esta tarde na Ilha d´água, num evento interno da Petrobrás, em que participei cantando. Ao deixarmos a ilha, numa grande lancha, fomos todos juntos: eu, o violonista que me acompanhou, meu querido amigo Júlio Ribeiro, funcionários da empresa e todo o elenco da peça. Quando eu entrava na embarcação, uma vozinha gentil e acolhedora me ofereceu ajuda antes de qualquer outra; o dono da voz pegou-me pela mão e me orientou para sentar ali, num lugar vago ao seu lado. Na confusão do momento agitado, nem pude reconhecer a voz e nem perceber o tamanho daquela mãozinha, só depois que me acomodei no banquinho foi que descobri que quem estava ao meu lado e me ajudara com tanta naturalidade era o ator mais jovem do elenco, Yorran, de 10 anos de idade. Batemos um papão, e mais lindo que ouvi-lo falando sobre o público alvo daquele espetáculo, as pessoas com deficiência visual, falando sobre inclusão, foi ver e confirmar mais uma vez que projetos como este deixam suas marcas em quem assiste, em quem atua, em quem promove, em tantos quantos estiverem envolvidos. No desembarque, Yorran foi quem de novo fez questão de me ajudar e me guiar até a terra firme. No caminho mostrei a ele que o perfume da rosa ficara em minha mão, e continua até agora. Que o perfume da sensibilidade, da inclusão, das grandes ideias, fique nas mãos, na alma, na vida de todos , e que o Teatro dos Sentidos possa deixar seu rastro bom nos caminhos de cada vez mais plateias!
Feliz Ano Novo está em cartaz na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro até o próximo domingo, dia 28. Já é a segunda temporada do grupo na Caixa; a primeira fez tanto sucesso que foi preciso repetir a dose. Divulgue, convide seus amigos e confira! Na verdade a maior parte do público que tem comparecido não tem deficiência visual, e todos saem maravilhados com a experiência multi sensorial.
Teatro dos Sentidos - Feliz Ano Novo
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Tel.: (21) 2544-4080
Data: 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Valor: R$15 (inteira) e R$7,50 (meia)
Capacidade: 150 lugares mais 4 para cadeirantes
Acesso para portadores de necessidades especiais
Classificação etária: 12 anos
Teatro dos Sentidos
Uma experiência inesquecível... Hoje, por força desses encontros mágicos do destino, conheci o Teatro dos Sentidos, e assisti à peça encenada por eles: Feliz Ano Novo. Nem sei se posso dizer que “assisti”, talvez eu possa dizer, assim como todos da plateia, que participei da peça Feliz Ano Novo. É isso mesmo, o grupo teatral do Rio de Janeiro Teatro dos Sentidos, dirigido pela atriz e escritora Paula Wenke, desenvolveu um trabalho voltado especialmente para a tchurma do apagão, mas quem enxerga é igualmente bem vindo na plateia e, com uma venda nos olhos, tem a oportunidade de mergulhar no espetáculo da mesma forma que nós, deleitando-se com todos os outros sentidos fora a visão. Sim, todos mesmo! E as surpresas que tive com meus outros sentidos sendo provocados foi um dos pontos fortes da minha imensa emoção. Primeiro me surpreendi ao sentir os aromas de elementos presentes na narrativa. Logo depois, qual não foi minha surpresa quando os personagens compartilharam com a plateia comidas que compunham a cena, como biscoitos de chocolate, pipoca salgadinha (e eu sonhei pelo resto da peça com aquela bacia de pipoca passando de novo pela minha mão... ), e até champanhe para comemorar com eles a virada do ano. No carnaval da história, confetes e cerpentinas eram jogados abundantemente sobre nós, como uma chuvinha gostosa de alegria e surpresa. Sons dos mais variados tipos, produzidos pelos atores bem próximo da plateia, assustavam, emocionavam, faziam rir, criavam ansiedade, acariciavam, e sobretudo nos levavam para dentro das cenas. Esses sons e mais duas narradoras complementavam nosso imaginário com todas as informações necessárias para a total compreensão da trama, como uma espécie de audiodescrição, bem interativa e particular. Claro que a música também marcou presença, desde o começo, mas de repente um violino tocado ao vivo chegou surpreendendo e rasgando a emoção. Situações divertidas, comoventes, românticas, lúdicas e até de extrema tensão, como o naufrágio de um navio, foram vividas por todos nós.
Os textos e poemas de Paula, junto à brilhante atuação de todos os atores, inclusive mirins, conduziam com encanto aquela experiência inédita e inesquecível. Depois de comer, beber, rir e chorar (bastante...), ser convidada a acariciar o rosto de um personagem, sentir brisa, sereno, interagir com os bichos de uma fazenda, participar de um naufrágio, de um carnaval, de um reveillon, ouvir de perto o canto dos atores, recebi uma rosa, de verdade e sem espinhos. Despetalei-a inteira, enquanto transbordava de mim tudo aquilo intimamente mexido e tocado por aqueles carinhos que chegaram na alma através dos sentidos. As pétalas se soltavam entre meus dedos uma a uma à medida que se desenrolava o fim da peça, aquele auge de bagunça gostosa nas lembranças mais profundas, conscientes e inconscientes, quando todos os sons, todos os cheiros, todas as texturas já experimentadas durante o espetáculo, agora nos provocavam todos de uma vez, passeando entre a plateia, passando bem perto, afastando-se, como num sonho louco, como num momento especial da vida em que se repassa na mente as vivências mais marcantes. Depois de tanta emoção, derramei minhas pétalas sobre a Paula, foi minha homenagem e meu agradecimento.
Tudo isso aconteceu esta tarde na Ilha d´água, num evento interno da Petrobrás, em que participei cantando. Ao deixarmos a ilha, numa grande lancha, fomos todos juntos: eu, o violonista que me acompanhou, meu querido amigo Júlio Ribeiro, funcionários da empresa e todo o elenco da peça. Quando eu entrava na embarcação, uma vozinha gentil e acolhedora me ofereceu ajuda antes de qualquer outra; o dono da voz pegou-me pela mão e me orientou para sentar ali, num lugar vago ao seu lado. Na confusão do momento agitado, nem pude reconhecer a voz e nem perceber o tamanho daquela mãozinha, só depois que me acomodei no banquinho foi que descobri que quem estava ao meu lado e me ajudara com tanta naturalidade era o ator mais jovem do elenco, Yorran, de 10 anos de idade. Batemos um papão, e mais lindo que ouvi-lo falando sobre o público alvo daquele espetáculo, as pessoas com deficiência visual, falando sobre inclusão, foi ver e confirmar mais uma vez que projetos como este deixam suas marcas em quem assiste, em quem atua, em quem promove, em tantos quantos estiverem envolvidos. No desembarque, Yorran foi quem de novo fez questão de me ajudar e me guiar até a terra firme. No caminho mostrei a ele que o perfume da rosa ficara em minha mão, e continua até agora. Que o perfume da sensibilidade, da inclusão, das grandes ideias, fique nas mãos, na alma, na vida de todos , e que o Teatro dos Sentidos possa deixar seu rastro bom nos caminhos de cada vez mais plateias!
Feliz Ano Novo está em cartaz na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro até o próximo domingo, dia 28. Já é a segunda temporada do grupo na Caixa; a primeira fez tanto sucesso que foi preciso repetir a dose. Divulgue, convide seus amigos e confira! Na verdade a maior parte do público que tem comparecido não tem deficiência visual, e todos saem maravilhados com a experiência multi sensorial.
Teatro dos Sentidos - Feliz Ano Novo
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Tel.: (21) 2544-4080
Data: 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Valor: R$15 (inteira) e R$7,50 (meia)
Capacidade: 150 lugares mais 4 para cadeirantes
Acesso para portadores de necessidades especiais
Classificação etária: 12 anos
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Carta à Diretora Paula Wenke por Igo Ribeiro.
Estou num projeto de teatro, extremamente instigante, para estreiar em outubro no TEATRO DE ARENA CAIXA CULTURAL: TEATRO DOS SENTIDOS.
O Teatro dos Sentidos é uma nova técnica de encenação teatral idealizada, por Paula Wenke, especialmente para uma platéia de deficientes visuais ou com os olhos vendados e é caracterizada pela utilização de textos particularmente adaptados e pela máxima estimulação dos sentidos remanescentes (audição, olfato, tato e paladar). Dessa forma, é possível trazer ao espectador uma enorme riqueza de sensações e total compreensão da história encenada.
Tivemos 2 laboratórios, interessantíssimos, onde os atores experimentaram a sensação de estar de olhos vendados. Um, no Jardim Botânico e o outro, na noite de Copacabana. Embora a experiência não fosse nova para mim, já que já venho trabalhando no escuro em várias oportunidades (Noturno - Oswaldo Montenegro, Drácula- acrobacia aérea, Confissões de Entendido e outros), sempre algo de novo e surpreendente acontece.
Ontem, a sensação de SEGURANÇA, LIBERDADE E PRAZER em estar, de olhos vendados, e conduzido pelas ruas de Copacabana por uma pessoa que nunca tinha visto na minha vida, foi sensacional.
Muito ansioso para o início dos ensaios e a reação da platéia.
Posto, aqui, uma carta direcionada à nossa diretora. A querida Paula Wenke (http://www.paulawenke.com/paula-wenke/pt/home/index.htm).
O Teatro dos Sentidos é uma nova técnica de encenação teatral idealizada, por Paula Wenke, especialmente para uma platéia de deficientes visuais ou com os olhos vendados e é caracterizada pela utilização de textos particularmente adaptados e pela máxima estimulação dos sentidos remanescentes (audição, olfato, tato e paladar). Dessa forma, é possível trazer ao espectador uma enorme riqueza de sensações e total compreensão da história encenada.
Tivemos 2 laboratórios, interessantíssimos, onde os atores experimentaram a sensação de estar de olhos vendados. Um, no Jardim Botânico e o outro, na noite de Copacabana. Embora a experiência não fosse nova para mim, já que já venho trabalhando no escuro em várias oportunidades (Noturno - Oswaldo Montenegro, Drácula- acrobacia aérea, Confissões de Entendido e outros), sempre algo de novo e surpreendente acontece.
Ontem, a sensação de SEGURANÇA, LIBERDADE E PRAZER em estar, de olhos vendados, e conduzido pelas ruas de Copacabana por uma pessoa que nunca tinha visto na minha vida, foi sensacional.
Muito ansioso para o início dos ensaios e a reação da platéia.
Posto, aqui, uma carta direcionada à nossa diretora. A querida Paula Wenke (http://www.paulawenke.com/paula-wenke/pt/home/index.htm).
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