"Feliz Ano Novo" foi um dos melhores espetáculos teatrais que assisti nesses últimos tempos. Produzido pela diretora Paula Wenke, a peça surpreende pela inovação e ousadia dos recursos teatrais. Paula e elenco teatral instiga-nos a acompanhar a peça usando quatro de nossos sentidos, exceto o da visão e, o resultado é um reencontro delicioso com nosso olfato, paladar, tato e audição. Confesso que deixei-me levar languidamente pelas emoções das vozes dos personagens, dos climas amorosos, pelos odores, pela degustação e, especialmente, pelo coração.Tive certeza de que nosso melhor sentido é o da intuição. Parabéns, Paula, pela ousadia, criatividade e pelos momentos tão agradáveis que nos propiciou com a provocação de nossos sentidos.
E tomara que a peça volte à cartaz o mais breve possível.
Beijos
De: Marisa Queiroz
sábado, 17 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Críticas.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
“FELIZ ANO NOVO” PROVOCA EXPERIÊNCIA SENSORIAL
Texto e fotos Renato Landim
A partir de uma conversa com seu filho, o pai relembra um encontro num réveillon com a mulher que foi o amor de sua vida. Essa é a linha mestra da peça Feliz Ano Novo, do Teatro dos Sentidos, que neste fim de semana encerra sua temporada no Espaço do Museu do Universo do Planetário da Gávea. Entretanto, a proposta do grupo é de uma experiência sensorial na qual cada pessoa da plateia compreende o espetáculo de forma particular.
Antes de entrar na área da peça, o público recebe uma venda nos olhos e, dessa forma, deficientes visuais e videntes ficam em igualdades de condições. Durante a encenação, são estimulados o olfato, o paladar, a audição e o tato. Menos a visão. “Foi incrível. Essa é uma experiência na qual todas as pessoas deveriam passar, sendo um exercício de se colocar no lugar do outro”, destacou a empresária e cantora Ana Paula Cuba, que acompanhava a deficiente visual Ivete Rita. Ela revelou que, por algumas vezes, perdeu a compreensão de certas situações, pois o elemento visual é muito forte.
Acompanhada de Jimmy, seu cão guia, e de sua filha, a advogada Deborah Prates disse ter adorado a proposta da peça, pois sempre defendeu que a sociedade precisasse fazer o que classificou de “troca de máscara”, entendendo assim a realidade das pessoas que não enxergam. Ela ressaltou o fato de o espetáculo provocar em cada um a busca por um novo olhar sobre a narrativa. “Para os cegos não foi um desafio, mas um imenso prazer” revelou a advogada, acrescentando que entender uma atração cultural sem o recurso da audiodescrição é tudo o que deficiente visual deseja.
Ainda se refazendo da experiência com aromas, mugidos de vacas, champange, entre outros, a secretária Júlia Medeiros contou ter ficado encantada com a proposta da peça. “Nunca tinha sentido isso. Eu de fato me senti participando da história e, como tenho medo do mar, fiquei aflita com a cena do navio balançando. Fiquei com medo”, descreveu em meio a risos e procurando água para voltar à calma.
A autora, diretora do espetáculo e idealizadora do Teatro dos Sentidos, Paula Wenke, atribuiu a sua formação cristã o fato de suas realizações sempre privilegiarem o semelhante. “A princípio, as pessoas desconfiam, mas acabam se surpreendendo, pois ativam a memória, o imaginário”, ressalta. Além de trazer o público ao universo dos deficientes visuais com a peça, Paula salienta que incluiu no elenco pessoas que ela classifica de diferentes, como anãos, obesos e gays, entre outros, depois de certa vez ter sido indagada por um cadeirante de que poderia fazer o papel do comandante na trama.
“Feliz Ano Novo” terá sessões neste sábado e domingo, às 20h, na Gávea. Os ingressos custam R$ 30, 00. De acordo com a administração do Planetário, o espaço reúne condições de acessibilidade.
“FELIZ ANO NOVO” PROVOCA EXPERIÊNCIA SENSORIAL
Texto e fotos Renato Landim
A partir de uma conversa com seu filho, o pai relembra um encontro num réveillon com a mulher que foi o amor de sua vida. Essa é a linha mestra da peça Feliz Ano Novo, do Teatro dos Sentidos, que neste fim de semana encerra sua temporada no Espaço do Museu do Universo do Planetário da Gávea. Entretanto, a proposta do grupo é de uma experiência sensorial na qual cada pessoa da plateia compreende o espetáculo de forma particular.
Antes de entrar na área da peça, o público recebe uma venda nos olhos e, dessa forma, deficientes visuais e videntes ficam em igualdades de condições. Durante a encenação, são estimulados o olfato, o paladar, a audição e o tato. Menos a visão. “Foi incrível. Essa é uma experiência na qual todas as pessoas deveriam passar, sendo um exercício de se colocar no lugar do outro”, destacou a empresária e cantora Ana Paula Cuba, que acompanhava a deficiente visual Ivete Rita. Ela revelou que, por algumas vezes, perdeu a compreensão de certas situações, pois o elemento visual é muito forte.
Acompanhada de Jimmy, seu cão guia, e de sua filha, a advogada Deborah Prates disse ter adorado a proposta da peça, pois sempre defendeu que a sociedade precisasse fazer o que classificou de “troca de máscara”, entendendo assim a realidade das pessoas que não enxergam. Ela ressaltou o fato de o espetáculo provocar em cada um a busca por um novo olhar sobre a narrativa. “Para os cegos não foi um desafio, mas um imenso prazer” revelou a advogada, acrescentando que entender uma atração cultural sem o recurso da audiodescrição é tudo o que deficiente visual deseja.
Ainda se refazendo da experiência com aromas, mugidos de vacas, champange, entre outros, a secretária Júlia Medeiros contou ter ficado encantada com a proposta da peça. “Nunca tinha sentido isso. Eu de fato me senti participando da história e, como tenho medo do mar, fiquei aflita com a cena do navio balançando. Fiquei com medo”, descreveu em meio a risos e procurando água para voltar à calma.
A autora, diretora do espetáculo e idealizadora do Teatro dos Sentidos, Paula Wenke, atribuiu a sua formação cristã o fato de suas realizações sempre privilegiarem o semelhante. “A princípio, as pessoas desconfiam, mas acabam se surpreendendo, pois ativam a memória, o imaginário”, ressalta. Além de trazer o público ao universo dos deficientes visuais com a peça, Paula salienta que incluiu no elenco pessoas que ela classifica de diferentes, como anãos, obesos e gays, entre outros, depois de certa vez ter sido indagada por um cadeirante de que poderia fazer o papel do comandante na trama.
“Feliz Ano Novo” terá sessões neste sábado e domingo, às 20h, na Gávea. Os ingressos custam R$ 30, 00. De acordo com a administração do Planetário, o espaço reúne condições de acessibilidade.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Cinthia Buarque, atriz provocadora, falando sobre a experiência de atuar no Teatro dos Sentidos.
...Me cadastrei e, uns meses depois fui chamada para participar do projeto mais lindo que já participei na minha vida, projeto esse que me fez repensar várias coisas, o "Teatro dos Sentidos"....Paula, minha mestra dos palcos. Foi com você que aprendi o que é ser ator (a). Aprendi a ter sensibilidade para entender que o diretor é quem dá as coordenadas.
Rio, 27 de novembro.
Hoje fui assistir Feliz Ano Novo, espetáculo Do Teatro Dos Sentidos com texto e direção Paula Wenke no Planetário Da Gávea.
O tema mostra, para plateia de olhos vendados, a percepção dos cinco sentidos: olfato, paladar, tato, visão e audição, numa viagem imaginaria pelo mundo do "desconhecido". É encenada por atores reais que nos conduzem a vivenciar maravilhas, jamais vistas e sentidas, por aqueles que possuem os olhos bem abertos para o mundo e nada enxergam. Vale a pena conferir para se emocionar, rir, cantar e se divertir além de degustar guloseimas durante o espetáculo. Parabéns à equipe DO TEATRO DOS SENTIDOS.
Gualdino Calixto, no facebook.
Hoje fui assistir Feliz Ano Novo, espetáculo Do Teatro Dos Sentidos com texto e direção Paula Wenke no Planetário Da Gávea.
O tema mostra, para plateia de olhos vendados, a percepção dos cinco sentidos: olfato, paladar, tato, visão e audição, numa viagem imaginaria pelo mundo do "desconhecido". É encenada por atores reais que nos conduzem a vivenciar maravilhas, jamais vistas e sentidas, por aqueles que possuem os olhos bem abertos para o mundo e nada enxergam. Vale a pena conferir para se emocionar, rir, cantar e se divertir além de degustar guloseimas durante o espetáculo. Parabéns à equipe DO TEATRO DOS SENTIDOS.
Gualdino Calixto, no facebook.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Aos namorados...
O teu beijo resume
Todas as sensações dos meus sentidos
A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume
Dos teus lábios acesos e estendidos
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador
Que, na lira sensual de cinco cordas,
Tange a canção do amor!
E o tato mais vibrante,
O sabor mais sutil, a cor mais louca,
O perfume mais doido, o som mais provocante
Moram na flor triunfal da tua boca!
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira;
Flor de alma, que é também
Um acorde em minha lira,
Que é meu mal e é meu bem...
Se uma emoção estranha
o gosto de uma fruta, a luz de um poente -
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha
qualquer sentido meu, é a ti somente
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo...
E acabo de pensar
Que qualquer emoção vem de teu beijo
Que anda disperso no ar...
De: Mario Filho
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Teatro dos Sentidos no Congresso de Artes e Saúde da Unicamp
Gabriela Marelttli da Equipe de organização do VI CASU - Congresso de Artes e Saúde da Unicamp - viu uma matéria sobre o projeto Teatro dos Sentidos e considerou muito interessante. Entrou em contato com a nossa Diretora Artística Paula Wenke para saber se existe a possibilidade de sua participação no congresso, seja dando uma palestra sobre o projeto e o efeito que tem nos cegos, ou seja com uma apresentação.
Congresso de Artes e Saúde da Unicamp é um evento voltado para alunos da graduação dos cursos da área de saúde que visa humanizar os estudantes e difundir a arte como um meio terapêutico. O evento é composto por palestras, apresentações artísticas e oficinas culturais, de modo à realmente envolver os alunos nos temas discutidos.
Congresso de Artes e Saúde da Unicamp é um evento voltado para alunos da graduação dos cursos da área de saúde que visa humanizar os estudantes e difundir a arte como um meio terapêutico. O evento é composto por palestras, apresentações artísticas e oficinas culturais, de modo à realmente envolver os alunos nos temas discutidos.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Rodrigo Grota no Facebook.
nessa época eu era assistente de um pintor. ele já estava cego mas continuava a fazer retratos. todas as manhãs nos levantávamos, eu preparava o chá, arrumava o toca discos e ouvíamos wagner. ele dizia que wagner queria explodir o mundo e que hoje ninguém mais quer explodir o mundo. ouvíamos tristão e isolda religiosamente antes de iniciar os trabalhos.
as pessoas chegavam ao ateliê e conversavam com o mestre. ele não precisava ver o rosto, não precisava tocar a sua face – ele se guiava apenas pela voz. seus retratos não eram figurativos – havia a cor, o contorno, a expressão. as pessoas se surpreendiam – ele destacava aquilo que elas só ousavam ler em voz baixa.
um dia você se aproximou – começo de outono, acho que tinha acabado de acordar. não havia ninguém no ateliê ainda – você disse apenas uma palavra: “perto”. o mestre pediu a minha atenção e de uma forma muito cortês explicou que precisava sair. e antes de um tímido sorriso deixou claro que esse seria o meu primeiro retrato. “aquilo que você vê não é o mais importante. ela quer justamente o que você desconhece”.
inicialmente não pude olhar para o seu rosto. eu observava tudo de uma forma geral, sem me prender a nenhum detalhe. vi a sua bolsa sobre a cadeira – um jornal enrolado saindo pelo lado de cima. um maço quase vazio, um isqueiro. procurei por uma blusa – você sentia a janela semi-aberta.
devido aos seus pequenos gestos, pensei que o primeiro passo seria se fixar no movimento. o seu ritmo era interno – tudo estava em harmonia. ao acender um cigarro, você demonstrava sua fragilidade. quando evitava o meu olhar, eu percebia a sua força. havia o desvio, a luz suave e o silêncio. você nunca disse nada, não pediu algo para beber, nem perguntou porque aquele livro do iberê camargo estava ali semi-aberto sobre a minha mesa. não duvidou do tom azul, do quase rascunho, nem se incomodou com o fato de que eu estava a pintá-la de costas. eu não queria mais ver o seu rosto, não queria sentir aquilo que está presente – você chegava em mim por meio de uma série de ausências, evocações, vestígios. eu só poderia ficar de costas.
eu sentia em cada traço que sua imobilidade era apenas um desejo meu. por mais que eu desenhasse o fluxo, expressasse uma certa instabilidade, as cores sempre me seduziam, eu a idealizava de uma forma irresistível.
recuei e voltei a observá-la de frente. você me encarava como se ainda não tivesse despertado. eu me aproximei da sua bolsa e encontrei um último cigarro. ficamos a observar o quadro – estava incompleto, as cores ainda não haviam se fixado – mas você estava ali. você estava naquele pequeno movimento interno, naquela voz invisível, naquelas linhas que evocavam o desvio.
você se aproximou, e no seu rosto havia uma incerteza. ali estava a dor, a impermanência, uma fragilidade que não te deixava mais suave. você disse: “your eyes... like a dylan song”.
eu saberia que você nunca mais estaria próxima.
eu saberia que a partir daquele momento o encantamento...
(o outono era apenas suave)
seu retrato permaneceu inacabado na minha mesa.
ao lado do livro do iberê, das fotos do bacon e de um estudo de hopper.
o mestre voltou ao ateliê minutos depois e apenas me perguntou do wagner.
eu achava que explodir o mundo me libertaria.
o seu rosto, apenas.
as pessoas chegavam ao ateliê e conversavam com o mestre. ele não precisava ver o rosto, não precisava tocar a sua face – ele se guiava apenas pela voz. seus retratos não eram figurativos – havia a cor, o contorno, a expressão. as pessoas se surpreendiam – ele destacava aquilo que elas só ousavam ler em voz baixa.
um dia você se aproximou – começo de outono, acho que tinha acabado de acordar. não havia ninguém no ateliê ainda – você disse apenas uma palavra: “perto”. o mestre pediu a minha atenção e de uma forma muito cortês explicou que precisava sair. e antes de um tímido sorriso deixou claro que esse seria o meu primeiro retrato. “aquilo que você vê não é o mais importante. ela quer justamente o que você desconhece”.
inicialmente não pude olhar para o seu rosto. eu observava tudo de uma forma geral, sem me prender a nenhum detalhe. vi a sua bolsa sobre a cadeira – um jornal enrolado saindo pelo lado de cima. um maço quase vazio, um isqueiro. procurei por uma blusa – você sentia a janela semi-aberta.
devido aos seus pequenos gestos, pensei que o primeiro passo seria se fixar no movimento. o seu ritmo era interno – tudo estava em harmonia. ao acender um cigarro, você demonstrava sua fragilidade. quando evitava o meu olhar, eu percebia a sua força. havia o desvio, a luz suave e o silêncio. você nunca disse nada, não pediu algo para beber, nem perguntou porque aquele livro do iberê camargo estava ali semi-aberto sobre a minha mesa. não duvidou do tom azul, do quase rascunho, nem se incomodou com o fato de que eu estava a pintá-la de costas. eu não queria mais ver o seu rosto, não queria sentir aquilo que está presente – você chegava em mim por meio de uma série de ausências, evocações, vestígios. eu só poderia ficar de costas.
eu sentia em cada traço que sua imobilidade era apenas um desejo meu. por mais que eu desenhasse o fluxo, expressasse uma certa instabilidade, as cores sempre me seduziam, eu a idealizava de uma forma irresistível.
recuei e voltei a observá-la de frente. você me encarava como se ainda não tivesse despertado. eu me aproximei da sua bolsa e encontrei um último cigarro. ficamos a observar o quadro – estava incompleto, as cores ainda não haviam se fixado – mas você estava ali. você estava naquele pequeno movimento interno, naquela voz invisível, naquelas linhas que evocavam o desvio.
você se aproximou, e no seu rosto havia uma incerteza. ali estava a dor, a impermanência, uma fragilidade que não te deixava mais suave. você disse: “your eyes... like a dylan song”.
eu saberia que você nunca mais estaria próxima.
eu saberia que a partir daquele momento o encantamento...
(o outono era apenas suave)
seu retrato permaneceu inacabado na minha mesa.
ao lado do livro do iberê, das fotos do bacon e de um estudo de hopper.
o mestre voltou ao ateliê minutos depois e apenas me perguntou do wagner.
eu achava que explodir o mundo me libertaria.
o seu rosto, apenas.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
WMcCann aborda deficiência visual
A Fundação Dorina Nowill para Cegos ganhou uma nova campanha criada pela WMcCann. Composta por filmes de 30 e 60 segundos a ação tem a intenção de mostrar a importância do trabalho da fundação na reabilitação das pessoas com deficiência visual. As cenas mostram Diego Luciano de Castro, de 23 anos, que há três anos ficou cego devido a um descolamento de retina, fazendo atividades como andar pelas ruas, pegar um ônibus, subir escadas e transpor os obstáculos. As imagens foram feitas por uma câmera digital acoplada à cabeça de Diego. O material foi editado e retrata exatamente o que “vê” uma pessoa com deficiência visual em seu dia a dia. Ao final, o filme leva a assinatura “Conheça e ajude a Fundação Dorina Nowill para Cegos” com o contato para doações.
Veja como as pessoas om deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais e óperas, por meio de um recurso de acessibilidade.
Com direção de criação de direção de criação de Alexandre Okada e Milton Mastrocessario (Cebola). A produção é da Sentimental Filme, com direção de cena de Maurício Guimarães e Luciano Zuffo. A produtora de som é a Junk/om.
Fonte: Portal de Acessibilidade - Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs no RS (FADERS)
Veja como as pessoas om deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais e óperas, por meio de um recurso de acessibilidade.
Com direção de criação de direção de criação de Alexandre Okada e Milton Mastrocessario (Cebola). A produção é da Sentimental Filme, com direção de cena de Maurício Guimarães e Luciano Zuffo. A produtora de som é a Junk/om.
Fonte: Portal de Acessibilidade - Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs no RS (FADERS)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!
A “Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!” entrou em campo neste último domingo (1º), durante a decisão do 2º Turno do Campeonato Carioca. No intervalo da partida entre Flamengo e Vasco, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência estenderam no gramado do Estádio do Engenhão o Bandeirão da Acessibilidade, que tem 25m x 18m.
O bandeirão foi carregado por crianças, adolescentes e pessoas com e sem deficiência. O objetivo da ação é conscientizar o público sobre a importância de se eliminar as barreiras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade, ressaltando a importância dos Direitos Humanos em nosso dia-a-dia e a defesa da acessibilidade como um direito universal.
A campanha, que está sendo apoiada por Pelé, Zico, Roberto Dinamite, Ronaldinho Gaúcho e Rivellino e grandes clubes brasileiros, tem como objetivos a sensibilização, a conscientização e a mobilização para a eliminação das barreiras culturais, de informação, arquitetônicas e outras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A “Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!” é coordenada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão integrante da estrutura básica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Fonte: site do CONADE.
O bandeirão foi carregado por crianças, adolescentes e pessoas com e sem deficiência. O objetivo da ação é conscientizar o público sobre a importância de se eliminar as barreiras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade, ressaltando a importância dos Direitos Humanos em nosso dia-a-dia e a defesa da acessibilidade como um direito universal.
A campanha, que está sendo apoiada por Pelé, Zico, Roberto Dinamite, Ronaldinho Gaúcho e Rivellino e grandes clubes brasileiros, tem como objetivos a sensibilização, a conscientização e a mobilização para a eliminação das barreiras culturais, de informação, arquitetônicas e outras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A “Campanha Nacional da Acessibilidade – Siga essa Ideia!” é coordenada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão integrante da estrutura básica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Fonte: site do CONADE.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Fundação Dorina Nowill completa 65 anos auxiliando deficientes visuais
Veja matéria no site de origem: Jornal Nacional - G1
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil".
Em 2011, a iniciativa de uma mulher que mudou a vida dos deficientes visuais no Brasil está completando 65 anos, como se vê na reportagem de Alan Severiano.
Foi de repente. Aos 33 anos, a vida deu uma reviravolta. As veias da retina se romperam e o advogado Marcelo Panico perdeu quase toda a visão. “Foi um luto de se fechar em casa no meu quarto. Eu pensei que a vida tinha realmente acabado”, lembra.
Isso faz oito anos. Hoje, com a ajuda de um cão guia e de um programa de computador, ele faz parte da equipe de advogados de uma multinacional. “Eu reaprendi a fazer o que sabia de outra forma e hoje convivo bem com esse aparato tecnológico”, declara.
O recomeço não foi fácil, como acontece com todos que passam pela Fundação Dorina Nowill, em São Paulo. A instituição leva o nome da pedagoga que ficou cega aos 17 anos e foi a primeira deficiente visual a estudar em uma escola regular.
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil". O que era uma pequena gráfica virou a maior editora de livros em braile da América Latina, uma instituição sem fins lucrativos, administrada por voluntários.
Por ano, 64 mil livros são distribuídos gratuitamente para bibliotecas e deficientes visuais em todo o país. Além de publicações em braile, tem também livros digitais e os livros falados. Assim, muitos reaprendem a ler, a entender formas, a se localizar.
Outros dão os primeiros passos. Os bebês são estimulados para evitar atraso no desenvolvimento. “Geralmente, eles demoram mais para engatinhar, eles demora mais apara andar. Quando a gente estimula, eles aprendem naturalmente. Isso vai ajudá-lo na sua expressão corporal”, explica a fisioterapeuta Márcia Silva.
Entre consultas e terapias, são 18 mil atendimentos por ano. “Não é lugar de coitadinho, ninguém tem pena. Ele tem a deficiência. Ele precisa superar uma barreira, mas fora isso é uma pessoa capaz de realizar seus desejos, e é isso que Dorina nos ensinou”, destaca o presidente da Fundação, Adermir Ramos da Silva.
Bruno segue esse caminho. Nasceu cego, passou a frequentar a fundação e, aos 11 anos, tira de letra o convívio na escola com crianças que enxergam. “Não adianta você viver em um ambiente que só tem pessoa que tem o seu problema, senão você não vai se acostumar com o mundo”, comenta.
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil".
Em 2011, a iniciativa de uma mulher que mudou a vida dos deficientes visuais no Brasil está completando 65 anos, como se vê na reportagem de Alan Severiano.
Foi de repente. Aos 33 anos, a vida deu uma reviravolta. As veias da retina se romperam e o advogado Marcelo Panico perdeu quase toda a visão. “Foi um luto de se fechar em casa no meu quarto. Eu pensei que a vida tinha realmente acabado”, lembra.
Isso faz oito anos. Hoje, com a ajuda de um cão guia e de um programa de computador, ele faz parte da equipe de advogados de uma multinacional. “Eu reaprendi a fazer o que sabia de outra forma e hoje convivo bem com esse aparato tecnológico”, declara.
O recomeço não foi fácil, como acontece com todos que passam pela Fundação Dorina Nowill, em São Paulo. A instituição leva o nome da pedagoga que ficou cega aos 17 anos e foi a primeira deficiente visual a estudar em uma escola regular.
Nos anos 40, eram raros os livros em braile no país. Convencidas de que eles eram essenciais para a inclusão do deficiente visual, Dorina e um grupo de amigas criaram a "Fundação para o livro do cego no Brasil". O que era uma pequena gráfica virou a maior editora de livros em braile da América Latina, uma instituição sem fins lucrativos, administrada por voluntários.
Por ano, 64 mil livros são distribuídos gratuitamente para bibliotecas e deficientes visuais em todo o país. Além de publicações em braile, tem também livros digitais e os livros falados. Assim, muitos reaprendem a ler, a entender formas, a se localizar.
Outros dão os primeiros passos. Os bebês são estimulados para evitar atraso no desenvolvimento. “Geralmente, eles demoram mais para engatinhar, eles demora mais apara andar. Quando a gente estimula, eles aprendem naturalmente. Isso vai ajudá-lo na sua expressão corporal”, explica a fisioterapeuta Márcia Silva.
Entre consultas e terapias, são 18 mil atendimentos por ano. “Não é lugar de coitadinho, ninguém tem pena. Ele tem a deficiência. Ele precisa superar uma barreira, mas fora isso é uma pessoa capaz de realizar seus desejos, e é isso que Dorina nos ensinou”, destaca o presidente da Fundação, Adermir Ramos da Silva.
Bruno segue esse caminho. Nasceu cego, passou a frequentar a fundação e, aos 11 anos, tira de letra o convívio na escola com crianças que enxergam. “Não adianta você viver em um ambiente que só tem pessoa que tem o seu problema, senão você não vai se acostumar com o mundo”, comenta.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Homenagem a Louis Braille
Nascido Para Luta
Quando o mundo não sabia, que é preciso aprender;
Nasceu um sábio francês, guerreiro mesmo sem vê;
Homem de grande visão, tomou ele a decisão,
De derrubar o poder.
Ficou cego aos três anos, pôs seus pais em desespero ;
Um enviado de Deus, nosso anjo mensageiro;
E mesmo sem ter visão, deu aos cegos a direção,
Na França e no mundo inteiro.
Ainda na tenra idade, o nosso herói Louis;
Não aceita desrespeito, aos cegos do seu país;
Que eram violentados, loucos, palhaços, coitados;
Pelas ruas de Paris.
Se fazia necessário, grandiosa transformação;
E o caminho encontrado, foi-lhes a educação;
A luz do conhecimento, cessa todo sofrimento,
E brilha na escuridão.
Era preciso um gênio, de um notável saber;
Que inventasse um sistema, para fazer cego ler;
Avançado e bem a frente, com este novo presente,
Foi possível escrever.
Uma luz no horizonte, já começa a surgir;
A leitura e a escrita, a os alunos dali;
Uma emergente guerra, começa lançar por terra,
O sistema de Hauy.
No velho e falho sistema, muito se tinha investido;
Professores não aceitavam, que os cegos tinham crescido;
E escrever um poema, usando o novo sistema,
Não lhes era permitido.
Louis e seus alunos, incansáveis, destemidos;
Os seis pontos em toda França, já eram bem conhecidos;
Quebraram até a lei, falaram até com o Rei,
Pra serem reconhecidos.
O aprovo do sistema, não foi logo conquistado;
Mas Braille continuava, lutando, obstinado;
Um jovem valente e forte, abatido pela morte,
Seu brado foi alcançado.
Braille lutou e venceu, nos deixou grande legado;
Os cegos do mundo inteiro, seu sistema tem usado;
Não tem tecnologia, e também engenharia,
Que lhe tenha modificado.
Seu nome Grande Louis, na história foi registrado;
Entre os grandes deste mundo, fostes Imortalizado;
És herói dos heróis, orgulho pra todos nós,
No presente e no passado.
Louis Braille inovou, foi fantástico cientista;
Nos deu plena autonomia, nos deu visão sem ter vista;
Louvo aqui sua coragem, receba esta homenagem,
Deste inculto repentista.
Por Antonio José Ferreira
São José do Egito / Pernambuco.
8 de abril - Dia Nacional do Braille
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille
CONVITE:
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, por meio da Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB, realizará nesta segunda-feira, dia 11 de abril, de 10 às 12 horas, na Ala Nilo Coelho (Sala 2) do Senado Federal em Brasília, uma audiência pública em comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille (08 de abril), instituído pela Lei 12.266 de 2010.
O evento contará com a participação de políticos, representantes de órgão governamentais e não governamentais, especialistas e estudiosos do assunto e com usuários do Sistema Braille.
Participe e prestigie no local ou pela TV Senado, que fará a transmissão ao vivo!
A TV Senado pode ser sintonizada em canal aberto (UHF) nas seguintes cidades:
· 16 UHF Rio Branco
· 36 UHF (Gama-DF e Entorno)
· 40 UHF (João Pessoa-PB)
· 43 UHF (Fortaleza-CE)
· 49 UHF (Rio de Janeiro-Zona Oeste)
· 51 UHF (Brasília-DF)
· 52 UHF (Natal-RN)
· 53 UHF (Salvador-BA)
· 55 UHF (Recife-PE)
· 56 UHF (Cuiabá-MT)
· 57 UHF (Manaus-AM)
Também nos canais 07 (Net), 118 (Sky), 217 (Direct TV), 17 (TECSAT), 121 (VIAEmbratel) ou na Internet pelo www.senado.gov.br/tv
sexta-feira, 1 de abril de 2011
MEC nega fechamento de escolas especiais para surdos e cegos
Ministro desautoriza diretora que anunciou o fim do ensino para surdos e cegos; inclusão entra na pauta da Câmara em Brasília.
Duilo Victor
Veja matéria no site de origem - O Globo.
O Ministério da EDUCAÇÃO (MEC) informou ontem que desautoriza o anúncio feito pela diretora nacional de Políticas Educacionais Especiais do MEC, Martinha Claret, sobre o fechamento, até o fim do ano, do Colégio de Aplicação do Instituto Nacional de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e do serviço de ensino fundamental para deficientes visuais do Instituto Benjamin Constant, na Urca.
O ministro da EDUCAÇÃO, Fernando HADDAD, convocou as direções das duas instituições cariocas para uma reunião terça-feira em Brasília. Segundo o MEC, o encontro servirá para desfazer o mal-entendido criado pela declaração de Martinha. Cerca de 800 crianças e jovens das duas instituições recebem os serviços especiais, do maternal ao ensino médio.
Câmara convoca HADDAD para discutir inclusão
A repercussão negativa da possibilidade de interrupção dos serviços fez a Comissão de EDUCAÇÃO da Câmara dos Deputados colocar em pauta na próxima terça-feira a convocação do ministro HADDAD. A intenção é discutir a política de inclusão de alunos com necessidades especiais nas redes públicas municipais e estaduais.
Na Defensoria Pública da União no Rio, o defensor André Ordacgy informou que irá instaurar um procedimento investigatório para analisar a situação do Ines e do Benjamin Constant.
- Os colégios públicos e também os privados não estão preparados para receber os alunos com necessidades especiais, tanto na questão de acessibilidade quanto pedagógica. Já temos ações nesse sentido - informa o defensor público da União.
Está prevista para hoje, às 10h, na Cinelândia, uma manifestação com entidades representativas de pais e de alunos com necessidades especiais contra a possibilidade de fechamento das duas instituições.
- Queremos igualdade de oportunidades, mas a inclusão não ocorre de fato, pois não se colocam as tecnologias necessárias - conta a presidente da ONG Guerreiros da Inclusão, Sheila Melo, uma das organizadoras da manifestação. - Há alunos surdos, por exemplo, que não têm tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras) das aulas.
Prefeitura nega falta de intérpretes em escolas
Kátia Nunes, diretora do Instituto Helena Antipoff, centro de referência de EDUCAÇÃO especial da prefeitura, nega que haja alunos surdos sem acompanhamento por intérprete na rede municipal:
- Nos efetivamos o direito do acesso às crianças com necessidade especial à escola. Elas passam por avaliação pedagógica e têm seu encaminhamento garantido ao colégio escolhido pelo pai do aluno, com professor e intérprete adaptado às necessidades deles.
Kátia garantiu que há intérprete para Libras em número suficiente. A rede municipal tem 9.923 alunos com necessidades especiais, sendo 4.508 em salas especiais.
Duilo Victor
Veja matéria no site de origem - O Globo.
O Ministério da EDUCAÇÃO (MEC) informou ontem que desautoriza o anúncio feito pela diretora nacional de Políticas Educacionais Especiais do MEC, Martinha Claret, sobre o fechamento, até o fim do ano, do Colégio de Aplicação do Instituto Nacional de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e do serviço de ensino fundamental para deficientes visuais do Instituto Benjamin Constant, na Urca.
O ministro da EDUCAÇÃO, Fernando HADDAD, convocou as direções das duas instituições cariocas para uma reunião terça-feira em Brasília. Segundo o MEC, o encontro servirá para desfazer o mal-entendido criado pela declaração de Martinha. Cerca de 800 crianças e jovens das duas instituições recebem os serviços especiais, do maternal ao ensino médio.
Câmara convoca HADDAD para discutir inclusão
A repercussão negativa da possibilidade de interrupção dos serviços fez a Comissão de EDUCAÇÃO da Câmara dos Deputados colocar em pauta na próxima terça-feira a convocação do ministro HADDAD. A intenção é discutir a política de inclusão de alunos com necessidades especiais nas redes públicas municipais e estaduais.
Na Defensoria Pública da União no Rio, o defensor André Ordacgy informou que irá instaurar um procedimento investigatório para analisar a situação do Ines e do Benjamin Constant.
- Os colégios públicos e também os privados não estão preparados para receber os alunos com necessidades especiais, tanto na questão de acessibilidade quanto pedagógica. Já temos ações nesse sentido - informa o defensor público da União.
Está prevista para hoje, às 10h, na Cinelândia, uma manifestação com entidades representativas de pais e de alunos com necessidades especiais contra a possibilidade de fechamento das duas instituições.
- Queremos igualdade de oportunidades, mas a inclusão não ocorre de fato, pois não se colocam as tecnologias necessárias - conta a presidente da ONG Guerreiros da Inclusão, Sheila Melo, uma das organizadoras da manifestação. - Há alunos surdos, por exemplo, que não têm tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras) das aulas.
Prefeitura nega falta de intérpretes em escolas
Kátia Nunes, diretora do Instituto Helena Antipoff, centro de referência de EDUCAÇÃO especial da prefeitura, nega que haja alunos surdos sem acompanhamento por intérprete na rede municipal:
- Nos efetivamos o direito do acesso às crianças com necessidade especial à escola. Elas passam por avaliação pedagógica e têm seu encaminhamento garantido ao colégio escolhido pelo pai do aluno, com professor e intérprete adaptado às necessidades deles.
Kátia garantiu que há intérprete para Libras em número suficiente. A rede municipal tem 9.923 alunos com necessidades especiais, sendo 4.508 em salas especiais.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Futuro de deficientes visuais e auditivos em jogo
Temeroso. Tudo isso deveria ser muito gradual. As escolas públicas não estão preparadas nem para os alunos que não possuem deficiência. Há uma campanha começando contra o bulling. Agora imagine o que nossos deficientes não sofreriam...
Deficientes visuais e auditivos temem possibilidade de perder escolas especiais
Duilo Victor
Veja a matéria no site de origem
A comunidade de deficientes auditivos e visuais no Rio se articula contra a possibilidade de encerramento, até o fim do ano, das aulas de ensino básico para crianças e jovens em duas instituições federais: o Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e o Instituto Benjamin Constant, na Urca. Só no Colégio de Aplicação do Ines, há cerca de 500 alunos, desde o maternal até o 3º ano do ensino médio. Além disso, nos dois últimos anos, com a prática adquirida no local, 80 professores se formaram no instituto em pedagogia com o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Já no Benjamin Constant - fundado há 156 anos, dois antes que o Ines -, cerca de 300 alunos estão matriculados do 1º ao 9º anos do ensino fundamental.
Na internet, há vídeos, manifestos e abaixo-assinados contra o fim do ensino básico nas duas instituições. De acordo com a diretora-geral do Ines, Solange Rocha, a diretora de Políticas Educacionais Especiais do Ministério da EDUCAÇÃO, Martinha Claret, veio ao Rio há 12 dias para informar que as atividades do Colégio de Aplicação vão acabar até o fim do ano. A intenção é matricular os alunos portadores de necessidades especiais nas redes estadual e municipal convencionais.
- A diretora Martinha foi bem categórica (quanto ao fechamento do Colégio de Aplicação). Mas não estamos em embate com o MEC, e sim em período de negociação. E estamos otimistas. Queremos esclarecer que, para a política de inclusão, o Colégio de Aplicação é fundamental, pois é nele que são formados os professores e elaborado o material pedagógico especializado que vão orientar o ensino em todo o país - diz Solange, que, em maio, levará um parecer oficial ao MEC, com propostas para não fechar o Colégio de Aplicação do Ines.
Diretora: sistema está despreparado
No ano passado, em reportagem publicada na revista da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), há uma declaração atribuída a Martinha em que ela explica ser a favor de uma política de inclusão dos alunos com necessidades especiais na rede convencional. Diz também que colégios como o de Aplicação do Ines são segregacionistas: "As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas". A diretora do Ines, por sua vez, argumenta que não há contradição entre a política de inclusão e a existência do Colégio de Aplicação.
- Não somos contra a política de inclusão. Mas o sistema de ensino no país se mostra despreparado para lidar inclusive com os (alunos) ouvintes - diz Solange.
O Ministério da EDUCAÇÃO negou ao GLOBO haver uma ação oficial em relação ao Ines ou ao Instituto Benjamin Constant. Disse ainda que, enquanto não houver "algum plano sólido para a reformulação (da EDUCAÇÃO especial), não há informações para passar".
A diretora de Políticas Educacionais da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), Patrícia Luiza Rezende, coordenadora do ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, é contra o fechamento do Colégio de Aplicação do Ines. "O discurso do MEC acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas", disse a professora, que é surda-muda, em e-mail ao GLOBO. "Isso é uma falácia. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos numa mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos", concluiu.
O futuro do Instituto Benjamin Constant e do Ines será tema de uma audiência pública amanhã, às 14h, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Comissão de Portadores de Deficiência Física, Márcio Pacheco (PSC), é a favor da política de inclusão, mas contra o fechamento das escolas:
- Sou a favor da inclusão híbrida, de apoio às escolas municipais e ao funcionamento das unidades especializadas, pois estas são formadoras de professores que poderão atuar depois na rede convencional.
A Secretaria municipal de EDUCAÇÃO informou, por meio de nota, que não foi contactada sobre um eventual fechamento do Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos e do Instituto Benjamin Constant. O órgão disse ainda que conta com 9.923 alunos portadores de necessidades especiais, sendo 4.508 incluídos em classes regulares. De acordo com a política da secretaria, estudantes com deficiências são incluídos em salas regulares se este for o desejo dos pais. Caso contrário, são encaminhados a salas ou escolas especiais.
Deficientes visuais e auditivos temem possibilidade de perder escolas especiais
Duilo Victor
Veja a matéria no site de origem
A comunidade de deficientes auditivos e visuais no Rio se articula contra a possibilidade de encerramento, até o fim do ano, das aulas de ensino básico para crianças e jovens em duas instituições federais: o Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos (Ines), em Laranjeiras, e o Instituto Benjamin Constant, na Urca. Só no Colégio de Aplicação do Ines, há cerca de 500 alunos, desde o maternal até o 3º ano do ensino médio. Além disso, nos dois últimos anos, com a prática adquirida no local, 80 professores se formaram no instituto em pedagogia com o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Já no Benjamin Constant - fundado há 156 anos, dois antes que o Ines -, cerca de 300 alunos estão matriculados do 1º ao 9º anos do ensino fundamental.
Na internet, há vídeos, manifestos e abaixo-assinados contra o fim do ensino básico nas duas instituições. De acordo com a diretora-geral do Ines, Solange Rocha, a diretora de Políticas Educacionais Especiais do Ministério da EDUCAÇÃO, Martinha Claret, veio ao Rio há 12 dias para informar que as atividades do Colégio de Aplicação vão acabar até o fim do ano. A intenção é matricular os alunos portadores de necessidades especiais nas redes estadual e municipal convencionais.
- A diretora Martinha foi bem categórica (quanto ao fechamento do Colégio de Aplicação). Mas não estamos em embate com o MEC, e sim em período de negociação. E estamos otimistas. Queremos esclarecer que, para a política de inclusão, o Colégio de Aplicação é fundamental, pois é nele que são formados os professores e elaborado o material pedagógico especializado que vão orientar o ensino em todo o país - diz Solange, que, em maio, levará um parecer oficial ao MEC, com propostas para não fechar o Colégio de Aplicação do Ines.
Diretora: sistema está despreparado
No ano passado, em reportagem publicada na revista da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), há uma declaração atribuída a Martinha em que ela explica ser a favor de uma política de inclusão dos alunos com necessidades especiais na rede convencional. Diz também que colégios como o de Aplicação do Ines são segregacionistas: "As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas". A diretora do Ines, por sua vez, argumenta que não há contradição entre a política de inclusão e a existência do Colégio de Aplicação.
- Não somos contra a política de inclusão. Mas o sistema de ensino no país se mostra despreparado para lidar inclusive com os (alunos) ouvintes - diz Solange.
O Ministério da EDUCAÇÃO negou ao GLOBO haver uma ação oficial em relação ao Ines ou ao Instituto Benjamin Constant. Disse ainda que, enquanto não houver "algum plano sólido para a reformulação (da EDUCAÇÃO especial), não há informações para passar".
A diretora de Políticas Educacionais da Federação Nacional de EDUCAÇÃO e Integração de Surdos (Feneis), Patrícia Luiza Rezende, coordenadora do ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, é contra o fechamento do Colégio de Aplicação do Ines. "O discurso do MEC acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas", disse a professora, que é surda-muda, em e-mail ao GLOBO. "Isso é uma falácia. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos numa mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos", concluiu.
O futuro do Instituto Benjamin Constant e do Ines será tema de uma audiência pública amanhã, às 14h, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Comissão de Portadores de Deficiência Física, Márcio Pacheco (PSC), é a favor da política de inclusão, mas contra o fechamento das escolas:
- Sou a favor da inclusão híbrida, de apoio às escolas municipais e ao funcionamento das unidades especializadas, pois estas são formadoras de professores que poderão atuar depois na rede convencional.
A Secretaria municipal de EDUCAÇÃO informou, por meio de nota, que não foi contactada sobre um eventual fechamento do Instituto Nacional de EDUCAÇÃO de Surdos e do Instituto Benjamin Constant. O órgão disse ainda que conta com 9.923 alunos portadores de necessidades especiais, sendo 4.508 incluídos em classes regulares. De acordo com a política da secretaria, estudantes com deficiências são incluídos em salas regulares se este for o desejo dos pais. Caso contrário, são encaminhados a salas ou escolas especiais.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Depoimentos da cantora cega Sara Bentes sobre o Teatro dos Sentidos.
http://sarabentes.blogspot.com/2010/11/teatro-dos-sentidos.html#comment-form
Teatro dos Sentidos
Uma experiência inesquecível... Hoje, por força desses encontros mágicos do destino, conheci o Teatro dos Sentidos, e assisti à peça encenada por eles: Feliz Ano Novo. Nem sei se posso dizer que “assisti”, talvez eu possa dizer, assim como todos da plateia, que participei da peça Feliz Ano Novo. É isso mesmo, o grupo teatral do Rio de Janeiro Teatro dos Sentidos, dirigido pela atriz e escritora Paula Wenke, desenvolveu um trabalho voltado especialmente para a tchurma do apagão, mas quem enxerga é igualmente bem vindo na plateia e, com uma venda nos olhos, tem a oportunidade de mergulhar no espetáculo da mesma forma que nós, deleitando-se com todos os outros sentidos fora a visão. Sim, todos mesmo! E as surpresas que tive com meus outros sentidos sendo provocados foi um dos pontos fortes da minha imensa emoção. Primeiro me surpreendi ao sentir os aromas de elementos presentes na narrativa. Logo depois, qual não foi minha surpresa quando os personagens compartilharam com a plateia comidas que compunham a cena, como biscoitos de chocolate, pipoca salgadinha (e eu sonhei pelo resto da peça com aquela bacia de pipoca passando de novo pela minha mão... ), e até champanhe para comemorar com eles a virada do ano. No carnaval da história, confetes e cerpentinas eram jogados abundantemente sobre nós, como uma chuvinha gostosa de alegria e surpresa. Sons dos mais variados tipos, produzidos pelos atores bem próximo da plateia, assustavam, emocionavam, faziam rir, criavam ansiedade, acariciavam, e sobretudo nos levavam para dentro das cenas. Esses sons e mais duas narradoras complementavam nosso imaginário com todas as informações necessárias para a total compreensão da trama, como uma espécie de audiodescrição, bem interativa e particular. Claro que a música também marcou presença, desde o começo, mas de repente um violino tocado ao vivo chegou surpreendendo e rasgando a emoção. Situações divertidas, comoventes, românticas, lúdicas e até de extrema tensão, como o naufrágio de um navio, foram vividas por todos nós.
Os textos e poemas de Paula, junto à brilhante atuação de todos os atores, inclusive mirins, conduziam com encanto aquela experiência inédita e inesquecível. Depois de comer, beber, rir e chorar (bastante...), ser convidada a acariciar o rosto de um personagem, sentir brisa, sereno, interagir com os bichos de uma fazenda, participar de um naufrágio, de um carnaval, de um reveillon, ouvir de perto o canto dos atores, recebi uma rosa, de verdade e sem espinhos. Despetalei-a inteira, enquanto transbordava de mim tudo aquilo intimamente mexido e tocado por aqueles carinhos que chegaram na alma através dos sentidos. As pétalas se soltavam entre meus dedos uma a uma à medida que se desenrolava o fim da peça, aquele auge de bagunça gostosa nas lembranças mais profundas, conscientes e inconscientes, quando todos os sons, todos os cheiros, todas as texturas já experimentadas durante o espetáculo, agora nos provocavam todos de uma vez, passeando entre a plateia, passando bem perto, afastando-se, como num sonho louco, como num momento especial da vida em que se repassa na mente as vivências mais marcantes. Depois de tanta emoção, derramei minhas pétalas sobre a Paula, foi minha homenagem e meu agradecimento.
Tudo isso aconteceu esta tarde na Ilha d´água, num evento interno da Petrobrás, em que participei cantando. Ao deixarmos a ilha, numa grande lancha, fomos todos juntos: eu, o violonista que me acompanhou, meu querido amigo Júlio Ribeiro, funcionários da empresa e todo o elenco da peça. Quando eu entrava na embarcação, uma vozinha gentil e acolhedora me ofereceu ajuda antes de qualquer outra; o dono da voz pegou-me pela mão e me orientou para sentar ali, num lugar vago ao seu lado. Na confusão do momento agitado, nem pude reconhecer a voz e nem perceber o tamanho daquela mãozinha, só depois que me acomodei no banquinho foi que descobri que quem estava ao meu lado e me ajudara com tanta naturalidade era o ator mais jovem do elenco, Yorran, de 10 anos de idade. Batemos um papão, e mais lindo que ouvi-lo falando sobre o público alvo daquele espetáculo, as pessoas com deficiência visual, falando sobre inclusão, foi ver e confirmar mais uma vez que projetos como este deixam suas marcas em quem assiste, em quem atua, em quem promove, em tantos quantos estiverem envolvidos. No desembarque, Yorran foi quem de novo fez questão de me ajudar e me guiar até a terra firme. No caminho mostrei a ele que o perfume da rosa ficara em minha mão, e continua até agora. Que o perfume da sensibilidade, da inclusão, das grandes ideias, fique nas mãos, na alma, na vida de todos , e que o Teatro dos Sentidos possa deixar seu rastro bom nos caminhos de cada vez mais plateias!
Feliz Ano Novo está em cartaz na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro até o próximo domingo, dia 28. Já é a segunda temporada do grupo na Caixa; a primeira fez tanto sucesso que foi preciso repetir a dose. Divulgue, convide seus amigos e confira! Na verdade a maior parte do público que tem comparecido não tem deficiência visual, e todos saem maravilhados com a experiência multi sensorial.
Teatro dos Sentidos - Feliz Ano Novo
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Tel.: (21) 2544-4080
Data: 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Valor: R$15 (inteira) e R$7,50 (meia)
Capacidade: 150 lugares mais 4 para cadeirantes
Acesso para portadores de necessidades especiais
Classificação etária: 12 anos
Teatro dos Sentidos
Uma experiência inesquecível... Hoje, por força desses encontros mágicos do destino, conheci o Teatro dos Sentidos, e assisti à peça encenada por eles: Feliz Ano Novo. Nem sei se posso dizer que “assisti”, talvez eu possa dizer, assim como todos da plateia, que participei da peça Feliz Ano Novo. É isso mesmo, o grupo teatral do Rio de Janeiro Teatro dos Sentidos, dirigido pela atriz e escritora Paula Wenke, desenvolveu um trabalho voltado especialmente para a tchurma do apagão, mas quem enxerga é igualmente bem vindo na plateia e, com uma venda nos olhos, tem a oportunidade de mergulhar no espetáculo da mesma forma que nós, deleitando-se com todos os outros sentidos fora a visão. Sim, todos mesmo! E as surpresas que tive com meus outros sentidos sendo provocados foi um dos pontos fortes da minha imensa emoção. Primeiro me surpreendi ao sentir os aromas de elementos presentes na narrativa. Logo depois, qual não foi minha surpresa quando os personagens compartilharam com a plateia comidas que compunham a cena, como biscoitos de chocolate, pipoca salgadinha (e eu sonhei pelo resto da peça com aquela bacia de pipoca passando de novo pela minha mão... ), e até champanhe para comemorar com eles a virada do ano. No carnaval da história, confetes e cerpentinas eram jogados abundantemente sobre nós, como uma chuvinha gostosa de alegria e surpresa. Sons dos mais variados tipos, produzidos pelos atores bem próximo da plateia, assustavam, emocionavam, faziam rir, criavam ansiedade, acariciavam, e sobretudo nos levavam para dentro das cenas. Esses sons e mais duas narradoras complementavam nosso imaginário com todas as informações necessárias para a total compreensão da trama, como uma espécie de audiodescrição, bem interativa e particular. Claro que a música também marcou presença, desde o começo, mas de repente um violino tocado ao vivo chegou surpreendendo e rasgando a emoção. Situações divertidas, comoventes, românticas, lúdicas e até de extrema tensão, como o naufrágio de um navio, foram vividas por todos nós.
Os textos e poemas de Paula, junto à brilhante atuação de todos os atores, inclusive mirins, conduziam com encanto aquela experiência inédita e inesquecível. Depois de comer, beber, rir e chorar (bastante...), ser convidada a acariciar o rosto de um personagem, sentir brisa, sereno, interagir com os bichos de uma fazenda, participar de um naufrágio, de um carnaval, de um reveillon, ouvir de perto o canto dos atores, recebi uma rosa, de verdade e sem espinhos. Despetalei-a inteira, enquanto transbordava de mim tudo aquilo intimamente mexido e tocado por aqueles carinhos que chegaram na alma através dos sentidos. As pétalas se soltavam entre meus dedos uma a uma à medida que se desenrolava o fim da peça, aquele auge de bagunça gostosa nas lembranças mais profundas, conscientes e inconscientes, quando todos os sons, todos os cheiros, todas as texturas já experimentadas durante o espetáculo, agora nos provocavam todos de uma vez, passeando entre a plateia, passando bem perto, afastando-se, como num sonho louco, como num momento especial da vida em que se repassa na mente as vivências mais marcantes. Depois de tanta emoção, derramei minhas pétalas sobre a Paula, foi minha homenagem e meu agradecimento.
Tudo isso aconteceu esta tarde na Ilha d´água, num evento interno da Petrobrás, em que participei cantando. Ao deixarmos a ilha, numa grande lancha, fomos todos juntos: eu, o violonista que me acompanhou, meu querido amigo Júlio Ribeiro, funcionários da empresa e todo o elenco da peça. Quando eu entrava na embarcação, uma vozinha gentil e acolhedora me ofereceu ajuda antes de qualquer outra; o dono da voz pegou-me pela mão e me orientou para sentar ali, num lugar vago ao seu lado. Na confusão do momento agitado, nem pude reconhecer a voz e nem perceber o tamanho daquela mãozinha, só depois que me acomodei no banquinho foi que descobri que quem estava ao meu lado e me ajudara com tanta naturalidade era o ator mais jovem do elenco, Yorran, de 10 anos de idade. Batemos um papão, e mais lindo que ouvi-lo falando sobre o público alvo daquele espetáculo, as pessoas com deficiência visual, falando sobre inclusão, foi ver e confirmar mais uma vez que projetos como este deixam suas marcas em quem assiste, em quem atua, em quem promove, em tantos quantos estiverem envolvidos. No desembarque, Yorran foi quem de novo fez questão de me ajudar e me guiar até a terra firme. No caminho mostrei a ele que o perfume da rosa ficara em minha mão, e continua até agora. Que o perfume da sensibilidade, da inclusão, das grandes ideias, fique nas mãos, na alma, na vida de todos , e que o Teatro dos Sentidos possa deixar seu rastro bom nos caminhos de cada vez mais plateias!
Feliz Ano Novo está em cartaz na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro até o próximo domingo, dia 28. Já é a segunda temporada do grupo na Caixa; a primeira fez tanto sucesso que foi preciso repetir a dose. Divulgue, convide seus amigos e confira! Na verdade a maior parte do público que tem comparecido não tem deficiência visual, e todos saem maravilhados com a experiência multi sensorial.
Teatro dos Sentidos - Feliz Ano Novo
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Tel.: (21) 2544-4080
Data: 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Valor: R$15 (inteira) e R$7,50 (meia)
Capacidade: 150 lugares mais 4 para cadeirantes
Acesso para portadores de necessidades especiais
Classificação etária: 12 anos
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Carta à Diretora Paula Wenke por Igo Ribeiro.
Estou num projeto de teatro, extremamente instigante, para estreiar em outubro no TEATRO DE ARENA CAIXA CULTURAL: TEATRO DOS SENTIDOS.
O Teatro dos Sentidos é uma nova técnica de encenação teatral idealizada, por Paula Wenke, especialmente para uma platéia de deficientes visuais ou com os olhos vendados e é caracterizada pela utilização de textos particularmente adaptados e pela máxima estimulação dos sentidos remanescentes (audição, olfato, tato e paladar). Dessa forma, é possível trazer ao espectador uma enorme riqueza de sensações e total compreensão da história encenada.
Tivemos 2 laboratórios, interessantíssimos, onde os atores experimentaram a sensação de estar de olhos vendados. Um, no Jardim Botânico e o outro, na noite de Copacabana. Embora a experiência não fosse nova para mim, já que já venho trabalhando no escuro em várias oportunidades (Noturno - Oswaldo Montenegro, Drácula- acrobacia aérea, Confissões de Entendido e outros), sempre algo de novo e surpreendente acontece.
Ontem, a sensação de SEGURANÇA, LIBERDADE E PRAZER em estar, de olhos vendados, e conduzido pelas ruas de Copacabana por uma pessoa que nunca tinha visto na minha vida, foi sensacional.
Muito ansioso para o início dos ensaios e a reação da platéia.
Posto, aqui, uma carta direcionada à nossa diretora. A querida Paula Wenke (http://www.paulawenke.com/paula-wenke/pt/home/index.htm).
O Teatro dos Sentidos é uma nova técnica de encenação teatral idealizada, por Paula Wenke, especialmente para uma platéia de deficientes visuais ou com os olhos vendados e é caracterizada pela utilização de textos particularmente adaptados e pela máxima estimulação dos sentidos remanescentes (audição, olfato, tato e paladar). Dessa forma, é possível trazer ao espectador uma enorme riqueza de sensações e total compreensão da história encenada.
Tivemos 2 laboratórios, interessantíssimos, onde os atores experimentaram a sensação de estar de olhos vendados. Um, no Jardim Botânico e o outro, na noite de Copacabana. Embora a experiência não fosse nova para mim, já que já venho trabalhando no escuro em várias oportunidades (Noturno - Oswaldo Montenegro, Drácula- acrobacia aérea, Confissões de Entendido e outros), sempre algo de novo e surpreendente acontece.
Ontem, a sensação de SEGURANÇA, LIBERDADE E PRAZER em estar, de olhos vendados, e conduzido pelas ruas de Copacabana por uma pessoa que nunca tinha visto na minha vida, foi sensacional.
Muito ansioso para o início dos ensaios e a reação da platéia.
Posto, aqui, uma carta direcionada à nossa diretora. A querida Paula Wenke (http://www.paulawenke.com/paula-wenke/pt/home/index.htm).
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
CAIXA Cultural Rio REEXIBE O SUCESSO ‘FELIZ ANO NOVO’
Plateia poderá experimentar novamente a técnica radical e inovadora do Teatro dos Sentidos
O sucesso foi tão grande que a CAIXA Cultural Rio de Janeiro, em parceria com a produção do espetáculo, decidiu trazer de volta “Feliz Ano Novo”, que teve casa lotada todos os dias de apresentação em sua primeira temporada no início do mês de outubro. Nesta segunda oportunidade, o público poderá “assistir” à peça do dia 23 a 28 de novembro, às 19h30.
O espetáculo “Feliz Ano Novo” foi escrito e dirigido pela criadora do Teatro dos Sentidos, Paula Wenke, que desenvolveu a técnica de encenação concebida especialmente para uma plateia que permanece durante o espetáculo com os olhos vendados, ou mesmo para deficientes visuais que compreendem totalmente a obra encenada. No espetáculo são explorados os sentidos remanescentes: audição, tato, olfato e paladar.
“Fazemos teatro para revelar algo para a plateia. Somos como um espelho. Vendamos o público para que ele perceba o quanto é possível e prazeroso abrir outros canais de percepção oprimidos pelo sentido da visão, o mais norteador e pleno de valores, até os mais preconceituosos. Sugerimos a “intravisão”, ao contrário da Televisão. Tele=distante. Intra=dentro. A construção das imagens se dá no próprio universo imagético de cada um”, ressalta Paula.
Também poeta, Paula Wenke escreve um texto dinâmico em que há romance, ação, comédia, drama e absoluto lirismo. E tudo isso com uma linguagem, situações e reflexões atuais. “Escrevi esta peça pensando em montá-la nos moldes do Teatro dos Sentidos. Então exploro sem preocupações as mudanças de cenário, que no teatro comum são sempre um cuidado extra. O som nos leva a qualquer lugar, os aromas, as características do ar.”
Como autora, diretora e atriz, Paula percebe que a diferença da reação do público de olhos vendados e a do público cego é completamente diferente. O deficiente visual fica extremamente feliz, alegre por sua total independência momentânea. Compreende absolutamente tudo. Naqueles instantes de espetáculo, para ele, o mundo é perfeito, feito sob medida. Já os videntes que se entregam à experiência saem completamente tocados, emocionados com a simplicidade e eficácia da proposta. E com a profundidade do espetáculo aprendem a valorizar sua capacidade de enxergar, mas desenvolvendo ainda mais todos os outros sentidos ali aguçados e muitas vezes esquecidos nesse mundo de alta conexão virtual, mas de pouca conectividade. Com os videntes, curiosamente, a emoção transborda porque ao entrar em contato com o seu próprio imaginário, eles entram em contato com a memória de experiências vividas. Ficando no centro da encenação, do “cenário”, entre os atores, eles se sentem como se estivessem dentro de um livro. “É um livro em 3D”, diz a plateia.
Teatro dos sentidos (história)
Paula Wenke, a princípio, queria fazer um espetáculo para cegos porque considerava serem os únicos que não entendiam totalmente uma obra encenada. Quando ela mesma se colocou como plateia de sua própria criação, pôde perceber o quanto a experiência poderia ser interessante para qualquer tipo de público.
Suas pesquisas começaram em 1997, com seus alunos da Casa da Gávea. Esteve em Paris conversando com Ariane Mnouchkine, diretora de teatro e cinema francesa, de renome mundial, fundadora do Théâtre du Soleil em Paris. Uma diretora ligada principalmente ao teatro de vanguarda, sua vitoriosa trajetória representa um marco na entrada da mulher num mercado de trabalho majoritariamente masculino. Sua produções no Théâtre du Soleil são frequentemente encenadas em espaços diferentes como ginásios, celeiros, porque Mnouchkine não gosta de estar confinada a palcos tradicionais ou ao palco italiano. Ao saber da proposta do Teatro dos Sentidos, a diretora convidou Paula Wenke a levar o trabalho para sua cia. Mas, para tanto, precisaria de ver o trabalho em vídeo. Apenas seis anos depois, com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, tais imagens puderam ser feitas com um elenco de atores profissionais.
“O Teatro dos Sentidos deu o seu primeiro pontapé para o mundo na CAIXA Cultural Rio de Janeiro; começamos em um teatro de arena, assim como Boal começou o seu importante Teatro do Oprimido”, conta a diretora.
Antes, Paula Wenke se apresentava com alunos e apenas nas instituições de cegos.
Serviço
TEATRO DOS SENTIDOS – “Feliz Ano Novo”
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de Arena
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (estação metrô Carioca) – Rio de Janeiro (RJ)
Informações: (21) 2544-4080
Datas: de 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Ingresso: R$ 15 (inteira) / estudantes e idosos pagam meia / Grátis para deficientes
Classificação: 12 anos
Duração: 50 minutos
Bilheteria: de terça a domingo, de 10h às 20h
Lotação máxima do teatro: 150 lugares (mais 04 para cadeirantes)
Acesso para portadores de necessidades especiais
Acesse a programação da CAIXA Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
O sucesso foi tão grande que a CAIXA Cultural Rio de Janeiro, em parceria com a produção do espetáculo, decidiu trazer de volta “Feliz Ano Novo”, que teve casa lotada todos os dias de apresentação em sua primeira temporada no início do mês de outubro. Nesta segunda oportunidade, o público poderá “assistir” à peça do dia 23 a 28 de novembro, às 19h30.
O espetáculo “Feliz Ano Novo” foi escrito e dirigido pela criadora do Teatro dos Sentidos, Paula Wenke, que desenvolveu a técnica de encenação concebida especialmente para uma plateia que permanece durante o espetáculo com os olhos vendados, ou mesmo para deficientes visuais que compreendem totalmente a obra encenada. No espetáculo são explorados os sentidos remanescentes: audição, tato, olfato e paladar.
“Fazemos teatro para revelar algo para a plateia. Somos como um espelho. Vendamos o público para que ele perceba o quanto é possível e prazeroso abrir outros canais de percepção oprimidos pelo sentido da visão, o mais norteador e pleno de valores, até os mais preconceituosos. Sugerimos a “intravisão”, ao contrário da Televisão. Tele=distante. Intra=dentro. A construção das imagens se dá no próprio universo imagético de cada um”, ressalta Paula.
Também poeta, Paula Wenke escreve um texto dinâmico em que há romance, ação, comédia, drama e absoluto lirismo. E tudo isso com uma linguagem, situações e reflexões atuais. “Escrevi esta peça pensando em montá-la nos moldes do Teatro dos Sentidos. Então exploro sem preocupações as mudanças de cenário, que no teatro comum são sempre um cuidado extra. O som nos leva a qualquer lugar, os aromas, as características do ar.”
Como autora, diretora e atriz, Paula percebe que a diferença da reação do público de olhos vendados e a do público cego é completamente diferente. O deficiente visual fica extremamente feliz, alegre por sua total independência momentânea. Compreende absolutamente tudo. Naqueles instantes de espetáculo, para ele, o mundo é perfeito, feito sob medida. Já os videntes que se entregam à experiência saem completamente tocados, emocionados com a simplicidade e eficácia da proposta. E com a profundidade do espetáculo aprendem a valorizar sua capacidade de enxergar, mas desenvolvendo ainda mais todos os outros sentidos ali aguçados e muitas vezes esquecidos nesse mundo de alta conexão virtual, mas de pouca conectividade. Com os videntes, curiosamente, a emoção transborda porque ao entrar em contato com o seu próprio imaginário, eles entram em contato com a memória de experiências vividas. Ficando no centro da encenação, do “cenário”, entre os atores, eles se sentem como se estivessem dentro de um livro. “É um livro em 3D”, diz a plateia.
Teatro dos sentidos (história)
Paula Wenke, a princípio, queria fazer um espetáculo para cegos porque considerava serem os únicos que não entendiam totalmente uma obra encenada. Quando ela mesma se colocou como plateia de sua própria criação, pôde perceber o quanto a experiência poderia ser interessante para qualquer tipo de público.
Suas pesquisas começaram em 1997, com seus alunos da Casa da Gávea. Esteve em Paris conversando com Ariane Mnouchkine, diretora de teatro e cinema francesa, de renome mundial, fundadora do Théâtre du Soleil em Paris. Uma diretora ligada principalmente ao teatro de vanguarda, sua vitoriosa trajetória representa um marco na entrada da mulher num mercado de trabalho majoritariamente masculino. Sua produções no Théâtre du Soleil são frequentemente encenadas em espaços diferentes como ginásios, celeiros, porque Mnouchkine não gosta de estar confinada a palcos tradicionais ou ao palco italiano. Ao saber da proposta do Teatro dos Sentidos, a diretora convidou Paula Wenke a levar o trabalho para sua cia. Mas, para tanto, precisaria de ver o trabalho em vídeo. Apenas seis anos depois, com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, tais imagens puderam ser feitas com um elenco de atores profissionais.
“O Teatro dos Sentidos deu o seu primeiro pontapé para o mundo na CAIXA Cultural Rio de Janeiro; começamos em um teatro de arena, assim como Boal começou o seu importante Teatro do Oprimido”, conta a diretora.
Antes, Paula Wenke se apresentava com alunos e apenas nas instituições de cegos.
Serviço
TEATRO DOS SENTIDOS – “Feliz Ano Novo”
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de Arena
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (estação metrô Carioca) – Rio de Janeiro (RJ)
Informações: (21) 2544-4080
Datas: de 23 a 28 de novembro de 2010
Horário: 19h30
Ingresso: R$ 15 (inteira) / estudantes e idosos pagam meia / Grátis para deficientes
Classificação: 12 anos
Duração: 50 minutos
Bilheteria: de terça a domingo, de 10h às 20h
Lotação máxima do teatro: 150 lugares (mais 04 para cadeirantes)
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